O Sábado é a sombra, Jesus a realidade.
Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados que são sombras das coisas futuras, mas a realidade é Cristo. (Cl 2.16-17)
Meus queridos, resolvi escrever sobre esse tema, pois, creio que ainda existem na mente da maioria dos irmãos e, principalmente da dos novos convertidos dúvidas sobre qual é o real significado do sábado. Algumas denominações, afirmam que o sábado além de ser um sinal entre toda a humanidade e Deus, é o ponto principal de lealdade cristã para com o Criador, sendo assim, a pedra angular da salvação. Logo, deve ser observado por todos como um dia de descanso e culto cristão.
Será mesmo isso que o sábado dado aos Israelitas após a saída deles do Egito, representava para os cristãos, para a igreja de Cristo? Ou o sábado, era apenas uma sombra de uma realidade mais profunda e maravilhosa que havia de vir? Você quer se aprofundar no real significado do descanso para a igreja? Então, acompanhe a postagem até o final, sempre analisando tudo e retendo o bem.
1. O descanso de Deus.
Quando lemos o relato bíblico da criação, vemos que Deus criou o mundo em seis dias e no sétimo, havendo terminado a sua obra criadora, entrou no seu descanso, “o descanso de Deus”.
Percebemos, por uma leitura atenta das Escrituras Sagradas, que o dia do descanso de Deus, foi um dia diferenciado dos outros. Em, todos os outros dias, desde o dia primeiro ao dia sexto, lê-se que “houve tarde e manhã”, mas, ao chegar no sétimo dia, ou no dia do descanso de Deus a expressão não aparece mais. Será que o escritor registrou-a por seis vezes, apenas como mera repetição e, a omitiu ao chegar no sétimo por acaso? Creio, que não. Os seis primeiros dias, foram dias completos de 24 horas. Mas, o sétimo dia de Gn 2.2, o descanso de Deus, foi o descanso que começou no sétimo dia da criação e não terminou mais (embora, Deus trabalhe ainda em favor da humanidade Jo 5.17).
2. Entrando no descanso de Deus HOJE.
O escritor aos hebreus, usa dois capítulos inteiros, a saber os capítulos 3 e 4 para falar sobre a necessidade de os cristãos salvos, entrarem no mesmo descanso de Deus. E, para isso usa como exemplo aqueles (Judeus), que não conseguiram entrar no descanso, embora, fossem ferrenhos observadores do sábado semanal de 24 horas.
Hebreus 3:12-19
13 Pelo contrário, encorajem-se uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama "hoje", de modo que nenhum de vocês seja endurecido pelo engano do pecado,14 pois passamos a ser participantes de Cristo, desde que, de fato, nos apeguemos até o fim à confiança que tivemos no princípio. 15 Por isso é que se diz: "Se hoje vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração, como na rebelião".
16 Quem foram os que ouviram e se rebelaram? Não foram todos os que Moisés tirou do Egito? 17 Contra quem Deus esteve irado durante quarenta anos? Não foi contra aqueles que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? 18 E a quem jurou que nunca haveriam de entrar no seu descanso? Não foi àqueles que foram desobedientes? 19 Vemos, assim, que foi por causa da incredulidade que não puderam entrar.
Hora, se os que Moisés tirou do Egito, apesar de guardarem o sábado semanal, não puderam entrar no descanso de Deus, LOGO, O DESCANSO DESCRITO PELO ESCRITOR, NÃO É UM DIA COMUM DA SEMANA. Mas, que descanso, ou sábado é esse? É, um sábado que se entra pela fé, envolve a mensagem do Evangelho. Em que dia da semana? No dia que se chama HOJE: “Se hoje vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração, (V, 15)” ou seja, todos os dias, Deus nos convida a entrar non seu descanso.
O que sabemos até agora sobre o descanso de Deus na criação?
1. Apesar de guardarem o sábado semanal, os filhos de Israel não entraram neste descanso.
2. Este descanso envolve a fé e a mensagem do evangelho.
3. Este descanso começou no sétimo dia da criação e não terminou (Gn 2:2 não registra "tarde e manhã", como nos últimos 6 dias de Gênesis 1).
4. Este descanso é "Hoje" (todos os dias), não apenas uma vez por semana.
3. Que é o descanso de Deus e como entrar nele?
O descanso de Deus, que a Palavra nos convida a entrar, como vimos, não é um dia comum da semana. O descanso, de que se trata, é em suma, o descanso dos crentes em Jesus Cristo (Mt 11.28-29), e, também o celestial.
Em Jesus, porque, está escrito que NÓS O QUE TEMOS CRIDO ENTRAMOS NO REPOUSO (Hb 4.3a) e, que Josué não deu o verdadeiro repouso para o povo de Deus (Hb 4:8). Pois, Deus, pela boca dos profetas falou de outro dia em que o seu povo iria entrar nesse descanso. O HOJE, que é PELA FÉ.
Hebreus 4:8-13
Porque, se Josué lhes tivesse dado descanso [10], Deus não teria falado posteriormente a respeito de outro dia. 9 Assim, ainda resta um descanso sabático [11] 11 Portanto, esforcemo-nos por entrar nesse descanso, para que ninguém venha a cair, seguindo aquele exemplo de desobediência. [13]
E, o messias, Jesus Cristo, já havia convidado toda humanidade para descasar Nele próprio:
Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve". (Mateus 11:28-30)
Portanto, partindo de Cl 2.16-17, onde é dito que o sábado é uma sombra das coisas futuras, mas a realidade é Cristo, aprendemos que a essência da observância do sábado apontava para o descanso em Jesus Cristo.
Entrar nesse repouso final significa o cessar do labor, dos sofrimentos e da perseguição, tão comuns em nossa vida nesta terra (Ap 14.13), significa participar do repouso do próprio Deus e experimentar eterna alegria, deleite, amor e comunhão com Deus e com os santos redimidos. Será um descanso sem fim.
Só vai entrar nesse repouso celestial de Deus os que aqui na terra já repousam completamente em seu filho Jesus Cristo. Você já encontrou descanso em Cristo?
Se tudo que estiver neste blog não fizer você: ORAR MAIS,JEJUAR MAIS, LER MAIS A PALAVRA DEUS E OBEDECE-LA, TUDO SERA EM VÃO.
Retire a pedra de tropeço
Se o teu olho te escandalizar,arranca-o e lança para longe de ti.
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
segunda-feira, 28 de abril de 2014
OS CAMELOS ENGOLIDOS POR CALVINO
OS CAMELOS ENGOLIDOS POR CALVINO
(título original: Calvin’s Camels)
"Condutores cegos! que coais um mosquito e engolis um
camelo." (Mt 23:24 ACF)
Tendo lido as Instituições de Calvino e tendo estudado os
escritos de muitos calvinistas antigos e contemporâneos, estou convencido de
que Calvino foi culpado de coar [adotar] mosquitos e engolir [destruir]
camelos. Aceitar o calvinismo (em qualquer de suas formas) é negar os ensinos
claros de dúzias de Escrituras.
Examinei o calvinismo muitas vezes durante os 33 anos desde
que fui salvo. A primeira vez foi logo depois de me converter, quando estava
numa Faculdade Bíblica e o calvinismo foi um dos muitos tópicos que eram
persistentemente discutidos pelos alunos. Eu nunca tinha ouvido sobre o
calvinismo antes disso e não sabia o que pensar a respeito, então li A
Soberania de Deus, de Arthur Pink e alguns outros títulos sobre o assunto,
desejando entendê-lo e saber se era escritural ou não. Alguns dos alunos se
tornaram calvinistas, mas eu concluí que, embora o calvinismo tenha alguns
pontos positivos sobre a soberania de Deus, e embora eu pessoalmente aprecie o
modo como ele exalta a Deus acima do homem, e embora eu concorde com seu
ensinamento que a salvação é 100% de Deus, e embora eu despreze e rejeite o
esquema de ganhar almas raso, manipulador e centrado no homem (tão comum entre
batistas independentes), e embora ele pareça ser apoiado por algumas
Escrituras, a linha base para mim é que ele [o calvinismo] acaba se
contradizendo em relação a muitas Escrituras claras.
No ano 2000 fui convidado a pregar a uma conferência sobre
calvinismo na Universidade Batista da Herança [Heritage Baptist University] em
Greenwood, Indiana, que ocorreu posteriormente, em abril de 2001. A conferência
foi oposta ao calvinismo e concordei em falar, porque era simpático a tal
posição [oposta ao calvinismo], desde que examinei pela primeira vez o assunto
na Escola Bíblica. Antes de dar a mensagem da conferência, no entanto, eu
queria re-examinar o calvinismo de maneira mais profunda. Contatei Dr. Peter
Masters em Londres, Inglaterra e discuti o assunto do calvinismo com ele.
Disse-lhe que o amava e o respeitava em Cristo e também amava e respeitava seu
antecessor, Charles Spurgeon, embora não concordasse com nenhum deles sobre o
calvinismo (ou com alguns itens, de fato). Disse ao Dr. Masters que queria que
ele me relatasse que livros ele recomendaria para eu compreender adequadamente
o que ele acredita sobre o assunto (sabendo haver muitas variedades de
calvinismo). Eu não queria representar mal coisa nenhuma. Entre outras coisas,
Dr. Masters recomendou que eu lesse os "Institutos da Religião
Cristã" [Institutes of the Christian Religion] de Calvino e "Spurgeon
versus os Hiper-Calvinistas" [Spurgeon vs. the Hyper-Calvinists], de Iain
Murray, o que eu fiz.
Nos últimos anos re-investiguei novamente o calvinismo por
ambos os lados. Li "Que Amor é Este" [What Love Is This?] de Dave
Hunt e "as Dúvidas Honestas de um Calvinista Resolvidas pela Razão e a
Maravilhosa Graça de Deus" [A Calvinist's Honest Doubts Resolved by Reason
and God's Amazing Grace]. Li "Debatendo o Calvinismo: Cinco Pontos, Duas
Visões" [Debating Calvinism: Five Points, Two Views], de Dave Hunt e James
White. Reli cuidadosamente "A Soberania de Deus" [The Sovereignty of
God] de Arthur Pink, assim como "A Confissão de Fé de Westminster"
[Westminster Confession of Faith]. Estudei também em torno de 100 páginas de
materiais publicados em defesa do calvinismo pela Faculdade Bíblica do Extremo
Oriente [Far Eastern Bible College], em Singapura. Esta é uma Escola Bíblica
Presbiteriana.
No melhor do meu conhecimento, estudei esses materiais com o
único desejo de saber a verdade e com a boa vontade de seguir a verdade aonde
quer que ela me levasse.
Assim, enquanto não li cada livro sobre este assunto que
poderia ser recomendado por meus leitores, fiz um considerável esforço para
entender o calvinismo adequadamente e para não representá-lo mal. (embora eu
tivesse aprendido que um não calvinista SEMPRE será acusado de
má-representação)
O calvinista sem dúvida questionará que eu simplesmente não
entendi adequadamente o calvinismo e a isso respondo que, se o calvinismo é tão
complicado, não pode ser a verdade. Se um pregador razoavelmente inteligente
que estudou e ensinou a Bíblia diligentemente por 32 anos e publicou uma
enciclopédia bíblica e muitos outros estudos bíblicos pode estudar o calvinismo
com um desejo de entendê-lo adequadamente e ainda não o entende, então ele [o
calvinismo] é muito complicado para ser verdadeiro! O apóstolo Paulo advertia
que é o diabo que torna a teologia tão complicada. “Mas temo que, assim como a
serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte
corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo.”
(2Co 11:3 ACF). Claro que calvinismo não é simples, de forma nenhuma, e esta é
uma razão porque ele produz uma mentalidade elitista. Para entender o
calvinismo, deve-se lidar com compatibilidade, monergismo versus sinergismo,
graça eleitora versus a graça irresistível, chamado eficaz versus chamado
geral, expiação- propiciação eficaz versus expiação- propiciação hipotética,
livre vontade libertariano versus livre vontade escravizada a submissão da
vontade, graça objetiva versus graça subjetiva, habilidade natural vs
habilidade moral, imputação do pecado de Adão mediata vs imediata,
supralapsarianismo, sublapsarianismo, infralapsarianismo, vontade desiderativa
vs decretiva, e vontade hipotética antecedente, para citar alguns!
Além disso, o calvinista argumentará que a razão por que
estudei o calvinismo e o rejeitei é porque penso que o homem deve ser igual a
Deus. Os calvinistas invariavelmente clamam que os não calvinistas não
acreditam na soberania de Deus. Não posso falar pelos outros, mas este
não-calvinista certamente acredita na soberania de Deus. Deus é Deus e Ele pode
fazer o que quiser, quando quiser. Como disse alguém, "o que quer que a
Bíblia diga, eu acredito. A Bíblia diz que uma baleia engoliu Jonas e eu o
creio. E se a Bíblia dissesse que Jonas engoliu a baleia, eu acreditaria!"
Se a Bíblia ensinasse que a soberania de Deus seleciona alguns pecadores para
irem para o paraíso e Sua soberania elegeu o resto para o inferno, e que Ele
escolheu apenas alguns para serem salvos e permite que o resto seja destruído,
eu o creria, porque acredito que Deus é Deus e o homem não pode dizer a Deus o
que é certo ou errado.
O fato é que cada vez que estudo o calvinismo, me convenço
que ele simplesmente contradiz muitas Escrituras, pois é construído mais sobre
a lógica e filosofia humanas que sobre o claro ensinamento da Palavra de Deus.
O que quer que signifique a eleição divina (e esta é certamente uma doutrina
importante e freqüentemente ensinada na Palavra de Deus), não pode significar
aquilo que o calvinismo conclui [pela sua lógica e raciocínio], pois aceitar
tal posição requer que alguém coe [adote] mosquitos e engula [destrua] camelos.
Os mosquitos são os argumentos e raciocínio extra-escriturais dos calvinistas e
os camelos são as Escrituras entendidas claramente por seu contexto.
Considere alguns mosquitos que os calvinistas coam [adotam].
Os calvinistas deduzem [lógica humana, sem provas bíblicas]
que, se Deus é soberano, então os homens não podem ter vontade e não podem
resistir a Ele.
Os calvinistas deduzem [lógica humana, sem provas bíblicas]
que, se o pecador está morto, então ele obviamente não pode responder ao
evangelho; e, se ele não pode responder ao evangelho e se a própria fé é um dom
soberanamente entregue (baseado na errada exegese de Ef 2:8-9), então os
eleitos devem nascer de novo antes de poder exercer a fé.
Os calvinistas deduzem [lógica humana, sem provas bíblicas]
que, já que Deus opera todas as coisas pela Sua própria vontade, então se Ele
realmente quisesse que todos os homens fossem salvos, Ele salvaria todos os
homens.
Os calvinistas argumentam [lógica humana, sem provas
bíblicas] que, já que Deus predestinou alguns à eterna salvação, então Ele deve
ter predestinado outros à eterna perdição.
Em cada um desses casos, o calvinista aplica a lógica humana
ao fato, ao invés de [citar] uma afirmação clara das Escrituras; e as
Escrituras que ele usa para apoiar sua doutrina não diz tal coisa. Assim, ele
côa [adota] mosquitos enquanto engole [destrói] centenas de afirmações claras
das Escrituras que demolem sua doutrina.
OS CAMELOS ENGOLIDOS [destruídos] POR CALVINO
Em seguida estão alguns dos camelos que John Calvin engoliu
[destruiu] quando seguiu Agostinho, o "Doutor da Igreja Católica
Romana", no erro da "eleição soberana" e quando raciocinou que
Deus não poderia ser soberano se o homem pode rejeitá-lo e se a salvação pode
ser aceita ou rejeitada pelo pecador.
Eu percebo que um calvinista forte [ou estanque,
impermeável] tem uma resposta para tudo. Ele pode fugir imediatamente para o
seu baluarte [que consiste] em fazer distinções inteligentes e intrincadas
entre graça eletiva e a graça comum, entre graus do amor de Deus, entre vontade
desiderativa e decretiva e vontade hipotética antecedente, entre muitas outros
coisas. Eu não estou escrevendo o artigo para tal pessoa. Estou escrevendo para
o crente simples que ama a Palavra de Deus e que não foi aterrorizado pelo
brilho intelectual [dos "brilhantes, geniais homens"] nem permitiu se
deixar enganar pela teologia humana.
DEUS PODE DEIXAR-SE LIMITAR -- "Voltaram atrás, e tentaram
a Deus, e limitaram o Santo de Israel." (Sl 78:41 ACF)
De acordo com o calvinismo, se um homem resiste a Deus ou
impede Seus propósitos então Deus não é mais um Deus Soberano e o homem deve
ser Soberano. Assim eles afirmam ser impossível um homem aceitar ou rejeitar a
salvação de Deus. Mas o fato é que a Bíblia diz que o homem resiste e rejeita
Deus a cada momento e isto tem ocorrido desde os primórdios de sua história.
Adão rejeitou a Palavra de Deus. Caim a rejeitou, a geração de Noé a rejeitou.
Os homens reunidos na Torre de Babel a rejeitaram. Quando o salmista conta a
experiência de Israel no deserto ele enfatiza o fato de que Israel não fez a
vontade de Deus. Ele os descreve como "geração obstinada e rebelde"
(Sl 78:8) que "se recusou a caminhar em Sua lei" (Sl 78:10). Ele faz
então esta espantosa afirmação: "eles limitaram o Santo de Israel"
(Sl 78:41). De acordo com o pensamento calvinista, isto não é possível e, se
fosse possível, significaria que Deus não é soberano, mas é óbvio que o calvinismo
está errado em ambos os relatos. Pois o fato de Deus ter [soberanamente] feito
o homem à Sua imagem com uma vontade e uma habilidade para fazer escolhas
reais, e o fato de Deus [soberanamente] permitir aos homens exercerem sua
vontade mesmo na questão de receber salvação, nada disso não torna Deus nem um
pouco menos soberano do que se Ele tivesse criado um robô. E não é válido [pela
Bíblia] [o calvinista alegar] que o homem pode resistir a Deus em algumas
coisas mas não em questões de salvação. Se o homem pode resistir e rejeitar e
limitar Deus de alguma forma e se [mesmo assim] Deus pode ainda ser Deus, então
Deus pode ainda ser Deus se Ele oferece salvação a todos e alguns a recebem e
alguns a rejeitam, como a Bíblia diz tão claramente: “E o Espírito e a esposa
dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome
de graça da água da vida.” (Ap 22:17 ACF)
JESUS QUERIA, MAS ISRAEL NÃO QUIS E NÃO ACONTECEU --
"Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são
enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta
os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!" (Mt 23:37 ACF)
Aqui vemos que era vontade e desejo do Filho de Deus salvar
Israel em toda a sua história e Ele enviou-lhe Seus profetas, mas Ele foi
recusado. Cristo queria. Israel não queria. Sabendo que Cristo é Deus, isto nos
ensina que a vontade de Deus poderá ser frustrada pela vontade do homem?
Arthur Pink diz: "Mas aquelas lágrimas manifestam um
Deus desapontado? Não! De verdade! Ao invés, elas mostram um Homem
perfeito" ("A Soberania de Deus" pág. 199).
Assim, de acordo com os calvinistas, a afirmativa de Jesus
em Mt 23:27 não ensina que a vontade de Deus foi frustrada pela vontade do
homem mas simplesmente expressa o lado humano da natureza compassiva de Jesus.
Segundo Calvino, Deus não pode ser desapontado, porque isto significaria que
Ele não é soberano (segundo a própria definição pré-determinada de Calvino),
mas isto se esvai em face das Escrituras em literalmente milhares de passagens.
Dizer que Jesus estava falando, em Mt 23:27, como homem mas
não como Deus, é ridículo e herético. Jesus disse a seus discípulos: “... Quem
me vê a mim vê o Pai, ...” (Jo 14:9 ACF). Em Mt 23:27 Jesus está falando como o
eterno Filho de Deus, sim, como Deus Jeová, como o mesmo Deus que enviou os
profetas a Israel em toda a sua carreira rebelde e que desejou dar-lhe Sua paz,
mas ELES NÃO QUISERAM.
DEUS ESTENDEU SUA MÃO PARA ISRAEL, MAS ISRAEL O REJEITOU --
"Mas para Israel diz: Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo rebelde
e contradizente." (Rm 10:21 ACF)
"Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde,
que anda por caminho que não é bom, após os seus pensamentos;" (Is 65:2
ACF)
Aqui está o mesmo tipo de afirmativa que o Próprio Jesus fez
em Mt 23:27. Vemos que Deus queria salvar Israel e continuamente tentou
alcançá-los, mas eles resistiram à mensagem e à salvação de Deus, e as
rejeitaram.
OS JUDEUS RESISTIRAM AO ESPÍRITO SANTO -- "Homens de
dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao
Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais." (At 7:51 ACF)
Estevão acusa seus perseguidores judeus de resistirem ao Santo
Espírito. Aqui, novamente vemos que o Santo Espírito luta com os homens e que
eles resistiram deliberadamente.
O calvinista responde a isso afirmando que a "escravidão da vontade" opera em via única, significando que os não salvos podem rejeitar a verdade mas não podem, por outro lado [mesmo se o quiserem fazer], receber a verdade. Segundo essa doutrina, só aos eleitos é dada a habilidade de crer no evangelho enquanto os não eleitos são deixados em sua condição Totalmente Depravada com sua vontade escravizada e incapaz de crer. Mas em local nenhum a Bíblia ensina isto. Ao invés, do início ao fim da Bíblia, de Caim até os que seguem o anticristo, os homens são chamados por Deus e se espera que respondam e obviamente estejam aptos a responder, e são condenados quando não o fazem.
Que alguns respondem, e outros não respondem, à luz que Deus dá, não é porque somente alguns são pré-ordenados a responder.
O calvinista responde a isso afirmando que a "escravidão da vontade" opera em via única, significando que os não salvos podem rejeitar a verdade mas não podem, por outro lado [mesmo se o quiserem fazer], receber a verdade. Segundo essa doutrina, só aos eleitos é dada a habilidade de crer no evangelho enquanto os não eleitos são deixados em sua condição Totalmente Depravada com sua vontade escravizada e incapaz de crer. Mas em local nenhum a Bíblia ensina isto. Ao invés, do início ao fim da Bíblia, de Caim até os que seguem o anticristo, os homens são chamados por Deus e se espera que respondam e obviamente estejam aptos a responder, e são condenados quando não o fazem.
Que alguns respondem, e outros não respondem, à luz que Deus dá, não é porque somente alguns são pré-ordenados a responder.
FORAM OS JUDEUS, ELES MESMOS, QUE TROUXERAM A IRA DE DEUS
SOBRE SI MESMOS -- "14 Porque vós, irmãos, haveis sido feitos imitadores
das igrejas de Deus que na Judéia estão em Jesus Cristo; porquanto também
padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que os judeus lhes fizeram a
eles, 15 Os quais também mataram o Senhor Jesus e os seus próprios profetas, e
nos têm perseguido; e não agradam a Deus, e são contrários a todos os homens,
16 E nos impedem de pregar aos gentios para que estes sejam salvos, a fim de
encherem sempre a medida de seus pecados; mas a ira de Deus caiu sobre eles até
ao fim." (1Ts 2:14-16, tradução da KJV)
Segundo esta passagem, os judeus que mataram o Senhor Jesus
e perseguiram os primeiros crentes não foram soberanamente reprovados para
[assim, fazerem] sua má obra. [Ao contrário,] Eles completaram seus pecados e
[por isso] trouxeram para si a ira de Deus por suas próprias ações.
Note também que Paulo diz que os judeus proibiram a pregação
do evangelho aos gentios "para que estes sejam salvos". Assim vemos
que os gentios, a quem o evangelho poderia, de outra forma, ser pregado, poderiam
ter sido salvos através daquela pregação.
AQUELES QUE SÃO SANTIFICADOS PELO SANGUE PODEM CONTÁ-LO COMO
PROFANO E PODEM FAZER AGRAVO AO ESPÍRITO DE DEUS. -- "De quanto maior
castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e
tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo
ao Espírito da graça?" (Hb 10:29 ACF)
Ou este verso significa que (a) uma pessoa salva pode perder
sua salvação, ou significa que (b) uma pessoa pode chegar perto de ser salva
sem realmente ser regenerado ou pode então finalmente se virar contra a
salvação, rejeitando a eficácia do sangue e do evangelho da graça. Acreditamos
que ele ensina o último. No nosso ministério de plantar Igrejas, vimos muitos
hindus e budistas participarem dos serviços e comprar Bíblias e olhar
anelantemente para as coisas de Cristo e mesmo desejarem ser batizados e
publicamente testemunhar sua crença no evangelho, só para finalmente se
voltarem e voltar à religião humana e à idolatria e renunciar ao sangue de
Cristo e à salvação pela graça. Eles não foram santificados no sentido de
salvação, mas foram santificados no sentido de terem sido iluminados e
convencidos pelo Espírito e no sentido de terem professado acreditar na aliança
ou no evangelho da graça.
Este verso contradiz as doutrinas calvinistas da Expiação-
Propiciação Limitada e da Irresistível Graça. Inegavelmente este verso, no
mínimo, ensina que o sangue de Cristo estava disponível a eles para a salvação,
mas que eles o rejeitaram.
JESUS REPREENDEU AS CIDADES DE ISRAEL PORQUE ELAS NÃO SE
ARREPENDERAM -- "20 Então começou ele a lançar em rosto às cidades onde se
operou a maior parte dos seus prodígios o não se haverem arrependido, dizendo:
21 Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem
feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido,
com saco e com cinza. 22 Por isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro
e Sidom, no dia do juízo, do que para vós. 23 E tu, Cafarnaum, que te ergues
até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem
sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje.
24 Eu vos digo, porém, que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do
juízo, do que para ti." (Mt 11:20-24 ACF)
Jesus não trata com os homens à base da eleição soberana e
da reprovação soberana. Ele tratava com os homens à base da responsabilidade
humana para responder ao divino chamado ao arrependimento. Cristo ensina aqui
que os homens não só são responsáveis por se arrepender, mas [também] podem se
arrepender, se quiserem. Se eles não se arrependeram, por que eles seriam
repreendidos como se tivessem se arrependido? Se alguns homens não podem se
arrepender, por que todos os homens são chamados ao arrependimento? (“Mas Deus,
não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e
em todo o lugar, que se arrependam;” At 17:30 ACF)
JESUS NOS ENSINOU A ORAR PARA QUE A VONTADE DE DEUS FOSSE
FEITA SOBRE A TERRA, DO MESMO MODO QUE É FEITA NO CÉU -- "E ele lhes
disse: Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o
teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra, como no
céu." (Lc 11:2 ACF)
Isto significa, claro, que a vontade de Deus não é
atualmente cumprida na terra como é no céu, o que significa que a soberania de
Deus não implica que a vontade de Deus sempre seja feita. O homem pode frustrar
a vontade de Deus – não no final, até onde o Seu plano eterno alcança, mas de
muitos modos e em muitos momentos.
DEUS CONVIDA TODOS, DE TODOS OS TERMOS DA TERRA, PARA SEREM
SALVOS -- " "Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da
terra; porque eu sou Deus, e não há outro." (Is 45:22 ACF)
Se palavras significam alguma coisa, este convite divino
universal significa que Deus deseja ansiosamente salvar todos os homens e todos
os homens podem ser salvos, e isto estava escrito durante a dispensação do
Antigo Testamento, antes da vinda de Cristo.
DEUS CONVIDA TODOS QUE ESTÃO SEDENTOS PARA VIREM E BEBEREM
LIVREMENTE -- "1) Oh vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os
que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem
dinheiro e sem preço, vinho e leite. 2) Por que gastais o dinheiro naquilo que
não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer?
Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a
gordura. 3) Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma
viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes
beneficências de Davi." (Is 55:1-3 ACF).
Como em todas as outras passagens onde um convite geral é
dado aos homens para serem salvos, os calvinistas tentam limitar esta passagem
aos eleitos, mas é impossível fazê-lo. Este convite particular é para
"todos que têm sede". O convite é estendido não meramente pelo Deus
de Israel mas pelo Deus do Universo, o Deus que "fez a terra e criou o
homem sobre ela" (Is 45:12), o mesmo Deus que disse num verso anterior:
"Olhai para mim e sereis salvos, vós, todos os termos da terra: porque Eu
sou Deus e não há outro" (Is 45:22 ACF).
Deus promete fazer uma aliança permanente com aqueles que
vêm para Ele e promete dar a tais "as verdadeiras misericórdias de
Davi". Isto não limita o convite só a Israel. A aliança de Deus com Davi é
cumprida pelo Seu Grande Filho, o Messias e todos os salvos participam da
aliança de um modo ou de outro (At 13:34-38).
DEUS AMA O MUNDO INTEIRO E DEU SEU FILHO PARA QUE TODO E
QUALQUER POSSA SER SALVA -- "14) E, como Moisés levantou a serpente no
deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; 15) Para que todo
aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. 16) Porque Deus amou o
mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que
nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. 17) Porque Deus enviou o seu
Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse
salvo por ele. 18) Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está
condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus." (Jo
3:14-18 ACF)
Arthur Pink é típico ao afirmar que o mundo, nesta passagem:
"não significa toda a família humana", mas que é "é usado de
modo geral" e ela "deve, em última análise, se referir ao mundo do
povo de Deus" (A Soberania de Deus, págs 203-204).
Ao contrário, sabemos que o "mundo" (Jo 3:16) aqui
significa todos os homens.
Primeiro, a universalidade desta passagem é clara pela
expressão "para que todo aquele que" [uma só palavra, em grego], que
é usada duas vezes no contexto. Se o termo "mundo" é usado para
significar algo diferente que todo o mundo dos homens, o termo "para que
todo aquele que" se torna sem sentido. Se "todo aquele que" não
significa "todo aquele que", então as palavras da Bíblia não têm
significado certo e tudo é lançado à confusão. Os calvinistas dizem que só
aqueles que são soberanamente eleitos crerão, mas a Bíblia diz quem quer que creia
será salvo e é, portanto, eleito.
Segundo, a universalidade do "mundo" nesta
passagem é clara pela tipologia que é usada. A serpente de bronze que foi
levantada por Moisés no deserto foi suficiente para a salvação de todos os
judeus que foram picados pelas cobras, mas só aqueles que olharam para ela [a
serpente de bronze] pela fé foram salvos. Da mesma forma, a salvação que Jesus
comprou no Calvário é suficiente para salvar qualquer pecador, mas só aqueles
que crêem são salvos.
TODO E QUALQUER (QUE QUEIRA) É CONVIDADO A VIR -- "E o
Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha;
e quem quiser, tome de graça da água da vida." (Ap 22:17 ACF)
Se este verso significa o que diz, ele refuta três das
doutrinas de Calvino: que a salvação é apenas para os soberanamente
pré-eleitos, que Deus não oferece efetivamente a salvação a todos. e que o
pecador não pode receber salvação.
DEUS SALVARÁ TODOS QUE O INVOCAREM -- "8 Mas que diz? A
palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé,
que pregamos, 9 A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em
teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. 10
Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão
para a salvação. 11 Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será
confundido. 12 Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo
é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. 13 Porque todo
aquele que invocar o nome do Senhor será salvo." (Rm 10:8-13 ACF)
Esta é outra passagem que claramente ensina que a salvação é
para todo e quem quer que invoque [o nome do Senhor Deus Jesus, o Cristo]. Os
calvinistas protestam que os pecadores que são Totalmente Depravados não podem
clamar ao Senhor e, portanto, só aqueles que são soberanamente eleitos e
chamados e recebem "o dom da fé" poderá clamar ao Senhor. Isto é
distorcer as Escrituras, é forçar a teologia de alguns para dentro da Bíblia.
Se as doutrinas calvinistas da soberana eleição e da escravidão da vontade e do
soberano chamado são corretas, então esta passagem realmente não significa o
que diz, portanto um abençoado e glorioso convite universal para a salvação dos
pecadores se torna algo reservado somente a um grupo pré-selecionado de
pecadores.
Quanto à fé, esta passagem diz que ela está bem próximo de
cada pecador. Em seus corações, [todos] os pecadores podem crer em Cristo. Eles
podem confessar Cristo com suas bocas. Embora estejam totalmente sem justiça em
si mesmos [ante Deus] e estejam totalmente mortos em suas transgressões e
pecados, isto não significa que eles não possam crer no evangelho.
TODO E QUALQUER QUE CRER EM CRISTO (E, PORTANTO, INVOCAR SEU
NOME) SERÁ SALVO -- "Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele
que crê em mim não permaneça nas trevas." (Jo 12:46 ACF)
"E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do
Senhor será salvo." (At 2:21 ACF)
A Bíblia repetidamente diz que a salvação é para "todo
aquele que"; portanto, um típico crente na Bíblia, mas que não é um
teólogo, concluiria [a partir dessa multidão de versículos cristalinamente
claros] que qualquer e todo pecador hoje é convidado a vir para Cristo e, pela
graça de Deus, PODE vir para Cristo. Tratar os "todo aquele que irá"
do Novo Testamento como Calvino fez, no entanto, é [anulá-lo,] fazê-lo de
nenhum efeito. Segundo Calvino, "todo aquele que" não significa
realmente "todo aquele que"; significa "qualquer dos
eleitos". Mesmo quando Calvino afirma, fora de um lado de sua boca (tal
como no comentário sobre João 3:16), que ele concorda que a salvação é
realmente oferecida para "quem quer que queira", ele o nega com o outro
lado afirmando que é óbvio que os não-eleitos "não o quererão", assim
ele [Calvino], num sentido prático, voltou para "todo aquele que, dentre
os eleitos".
JESUS CONVIDOU TODOS QUE TÊM SEDE A VIR E BEBER -- "37
E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo:
Se QUALQUER UM tem sede, venha a mim, e beba. 38 Quem crê em mim, como diz a
Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre." (Jo 7:37-38 KJV)
Este é o mesmo tipo de convite que vimos em muitas outras
passagens. É um convite a "qualquer um". Jesus graciosamente convida
todos os pecadores que reconhecem sua necessidade de salvação para virem a Ele
para satisfazê-la. Além disso, o Espírito Santo veio ao mundo para mostrar aos
homens sua necessidade de Cristo (Jô 16:8). O único requisito que Jesus exige é
que tenham sede de águas vivas que só Deus pode prover e que venham só a Jesus
para [receberem] aquela água e a nenhum outro. A Salvação está vinculada a
beber da água. Que coisa tão simples!
JESUS CONVIDOU TODOS OS QUE ESTÃO CANSADOS E OPRIMIDOS A
VIREM A ELE PARA DESCANSO -- "28 Vinde a mim, TODOS os que estais cansados
e oprimidos, e eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de
mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas
almas. 30 Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." (Mt 11:28-30
ACF)
Um convite mais amplo à salvação não pode ser dado.Qualquer
pessoa que trabalhe e esteja pesadamente oprimido é convidado a vir a Jesus
buscar repouso. Não é um convite que possa ser de alguma forma limitado a um
seleto número de indivíduos que foram soberanamente predeterminados. A
compaixão de Jesus se estende a todos os pecadores e é verdadeiro Seu desejo de
salvar todos eles.
TANTOS QUANTOS RECEBEM JESUS TORNAM-SE FILHOS DE DEUS --
"10 Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o
conheceu. 11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. 12 Mas, a
todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos
que crêem no seu nome; 13 Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da
carne, nem da vontade do homem, mas de Deus." (Jo 1:10-13 ACF)
Jesus foi rejeitado por Seu próprio povo, a nação judaica.
Só este fato demonstra que Deus pode ser rejeitado pelos homens. Mas todos os
que recebem a Jesus crendo em Seu nome recebem o poder de se tornarem filhos de
Deus. Não é dada qualquer limitação. Salvação é uma questão de "A TODOS
QUANTOS" e "QUEM QUER QUE". Note que a fé precede e é a causa de
se tornar um filho de Deus. Não é que os homens nascem de novo para
[conseqüentemente, possam ter] a fé, como disse Calvino, mas que através da fé
os homens nascem de novo. Note também que, receber a Cristo crendo n’Ele não
pode ser definido como "a vontade do homem". Os calvinistas questionam
que se o pecador pudesse crer em Cristo isto significaria que a salvação é da
vontade do homem, mas esta passagem refuta tal lógica humana. Sabemos
claramente em Jo 1:13 que o novo nascimento não é da "vontade da carne,
nem da vontade do homem", mas sabemos muito claramente que o novo
nascimento ocorre recebendo Cristo pela fé, nos versículos anteriores. O que o
versículo 13 significa é que este novo nascimento não é produto da vontade
humana. Os homens não podem operar o novo nascimento. Eles não podem querer que
aconteça. É um milagre da graça que Cristo opera na vida do pecador que crê.
DEUS TEM ORDENADO QUE O EVANGELHO SEJA PREGADO A CADA E TODO
SER HUMANO E GARANTIU QUE TODOS QUE NELE CREREM SERÃO SALVOS -- "15 E
disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. 16 Quem
crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." (Mc
16:15-16 ACF)
Se apenas o eleito pode ser salvo, por que Deus ordena que o
evangelho do "quem quer que queira" a salvação, seja pregado a cada
pecador? Deus está zombando dos não eleitos, proclamando-lhes que Ele deu Seu
único filho amado para que "todo aquele que nele crê não pereça" e
que “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.”?
Alguns calvinistas dividem-se em duas amplas categorias chamadas
"hiper" e "não hiper" (embora os "hiper" não
admitam serem hiper mas professam-se como genuinamente calvinistas). O
não-hiper calvinista afirma que Deus ama verdadeiramente a todos os homens e
que o "todos" de João 3:16 é verdadeiramente "todos", e
isto soa encorajador, exceto que, pelo outro lado da sua boca, ele diz que Deus
só salva os eleitos e que não há possibilidade para os não eleitos serem
salvos, e que o "amor" de Deus para com os não eleitos é certamente
diferente do Seu amor pelos eleitos. Certamente os não eleitos, ouvindo tal
argumentação seriam forçados a dizer: "Que tipo de amor estranho é este?
Deus está zombando de mim? Deus está brincando comigo como um gato brinca com
um rato [ferido, para terminar de matá-lo]? A Bíblia promete que 'para que todo
aquele que nele creia não pereça', mas os calvinistas me dizem que só se eu for
um dos eleitos é que eu serei soberanamente regenerado e receberei o ‘dom da
fé’ e se eu não for um dos eleitos, então estou tão morto em minhas
transgressões e pecados que não há nada que eu possa fazer para ser salvo, que
eu não posso crer em Cristo e que a iluminação que Deus me dá não é eficaz para
minha salvação. Que amor é este?" Claro que o calvinista logo responderá:
"quem é você que responde contra Deus! Deus é Deus e Ele pode fazer o que
quiser e Lhe agradar". Claro que Ele pode fazer o que quiser e Lhe
agradar, mas esta questão se Deus genuinamente quer que todos os homens sejam
salvos e se é possível para eles serem salvos tem a mais séria e eterna
conseqüência e responder à questão sobre o que constitui o amor de Deus não é
nem irracional nem anti-escriturístico.
DEUS NÃO ESTÁ QUERENDO QUE PESSOA ALGUMA SE PERCA -- "O
Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é
longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos
venham a arrepender-se." (2Pe 3:9 ACF)
Por que o Senhor espera para estabelecer Seu reino? Por que
Cristo ainda não veio? Este verso nos ensina que Deus está esperando que os
homens sejam salvos, porque não é de Sua soberana vontade que ninguém pereça.
Já que muitos perecerão e já que nem todos virão ao arrependimento, como
sabemos de outras Escrituras, então é óbvio que a vontade de Deus pode sofrer
resistência e ser frustrada e rejeitada pelo homem. É óbvio que o soberano Deus
criou o homem de modo que isto pudesse ser possível, mas claro que isto não significa
que Deus deixou de ser Deus. É o calvinismo que define a divina soberania como
irresistível. A Bíblia não sustenta tal definição.
O calvinista interpreta este versículo como significando que
Deus não quer que nenhum dos eleitos [apenas eles] pereça. Arthur Pink diz:
"Os ‘alguns’ que Deus não quer que pereçam são os ‘para conosco’ por quem
Deus ‘é longânimo’, são os ‘amados’ dos versículos anteriores" (A
Soberania de Deus, p.207).
Nossa resposta a isto é, antes de tudo, se este fosse o
único versículo que dissesse que Deus não quer que ninguém pereça, poderíamos
aceitar a interpretação calvinista, mas não é. Is 45:22 e Mt 11:28 e Jo 3:16 e
Jo 6:40 e Rm 11:23 e I Tm 1:15-16 e I Tm 2:3-4 e Ap 22:17 são apenas algumas
das passagens que dizem que Deus quer salvar a todos os homens.
[ “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da
terra; porque eu sou Deus, e não há outro.” (Is 45:22 ACF)
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu
vos aliviarei.” (Mt 11:28 ACF)
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho
unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida
eterna.” (Jo 3:16 ACF)
“Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo
aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no
último dia.” (Jo 6:40 ACF)
...
“3 Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso
Salvador, 4 Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da
verdade.” (1Tm 2:3-4 ACF)
“E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem.
E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.” (Ap
22:17 ACF) ]
Assim, é razoável e Escritural acreditar que os "para
conosco’ em II Pe 3:9 é a humanidade em geral, em oposição só aos
"eleitos".
Mais, se II Pe 3:9 significa meramente que Deus não quer que
nenhum dos eleitos pereça, então Ele usa uma linguagem estranha à luz das
doutrinas calvinistas de eleição soberana e chamado irresistível. Dizer que
Deus não quer que ninguém pereça é assumir que alguns possam perecer.
DEUS QUER QUE TODOS OS SERES HUMANOS SEJAM SALVOS -- "3
Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, 4 Que quer que
todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade." (1Tm
2:3-4 ACF)
O que este versículo significa? Não há razão para crer que
signifique outra coisa senão exatamente o que diz. É a vontade e desejo
soberanos de Deus que todos os homens sejam salvos. Obviamente, então, a
vontade de Deus não é sempre cumprida e Deus ordenou que o homem possa frustrar
Sua vontade, porque é claro por outras passagens que nem todos os homens serão
salvos. Claro, o calvinista tem todo o tipo de meios pelos quais ele conclui
sobre o ensino claro de II Pe 3:9 e I Tm 2:3-4, mas só alguém comprometido com
o calvinismo interpretaria a Escritura dessa forma. Por exemplo, alguns
calvinistas afirmam que Deus tem dois tipos de vontade: "desiderativa e
decretiva". Embora Ele deseje realmente que todos os homens sejam salvos,
Ele só decretou que os eleitos sejam salvos. Assim, quando II Pe 3:9 e I Tm
2:3-4 dizem que Deus não quer que qualquer pereça e que Ele quer que todos os
homens sejam salvos, isto é meramente Sua vontade "desiderativa",
enquanto só os pecadores eleitos que caem na categoria de Sua vontade "decretiva"
serão realmente salvos porque são os únicos, que são soberanamente regenerados
e recebem o "dom da fé". Quando eu disse a um professor calvinista
que isto é mera "enrolação", ele muito se ofendeu, mas não vejo o que
mais pode ser. Claro, esta intransigente tentativa de conciliar I Tm 3:3-4 e II
Pe 3:9 com o calvinismo realmente cria mais problemas que os resolve, porque
admite que a vontade desiderativa de Deus não será cumprida. Assim, a vontade
de Deus pode de fato ser frustrada pelo homem – não Sua vontade decretiva, você
pode pensar, mas Sua vontade desiderativa – que significaria que Deus tem uma
vontade que não é soberana.
JESUS VEIO AO MUNDO PARA SALVAR PECADORES -- "15 Esta é
uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo,
para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. 16 Mas por isso
alcancei misericórdia, para que em mim, que sou o principal, Jesus Cristo
mostrasse toda a sua longanimidade, para exemplo dos que haviam de crer nele
para a vida eterna." (1Tm 1:15-16 ACF)
O calvinismo pode ser lido [forçado para dentro] nesta
passagem, como pode ser lido [forçado para dentro] em qualquer passagem (que só
os "pecadores" podem se tornar os eleitos). Mas, se tomamos ao pé da
letra as palavras desses versos, elas significam que Jesus veio para salvar os
pecadores em geral, ao contrário de [a finalidade de salvar] somente um grupo
pré-selecionado; e significa que a salvação do Deus de Paulo, o chefe dos
pecadores, é um encorajamento a qualquer pecador vir a Cristo para [receber] salvação.
Qualquer pecador pode encontrar encorajamento nesta passagem para crer em
Cristo para a sua salvação, porque se Deus pode salvar Paulo, Ele salvará a
qualquer um.
DEUS QUER USAR DE MISERICÓRDIA PARA COM TODOS --
"Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos
usar de misericórdia." (Rm 11:32 ACF)
Se o "todos" da primeira metade deste versículo
significa todos os homens, como é óbvio, então é impossível interpretar a
última parte por qualquer outro sentido. O mesmo Deus que englobou todos os
homens em descrença deseja ter misericórdia sobre todos os homens através de
Jesus Cristo. Essa é Sua soberana e expressa vontade.
JESUS FEZ PROPICIAÇÃO NÃO SOMENTE PELOS PECADOS DOS CRENTES
MAS, TAMBÉM, PELOS DO MUNDO INTEIRO -- "E ele é a propiciação pelos nossos
pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo."
(1Jo 2:2 ACF)
Esta passagem é dirigida "aos meus filhinhos" e
aqueles que têm "um advogado com o Pai, Jesus Cristo, o justo" (1João
2:1). Obviamente é dirigida, então, aos salvos ou àqueles que em outra passagem
são chamados "os eleitos" (Col 2:12; II Tm 2:10). Portanto, quando I
Jo 2:2 diz que Cristo "é a propiciação pelos nossos pecados: e não só
pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo", a Bíblia está
óbvia e claramente afirmando que Cristo não morreu só pelos pecados dos
eleitos. "Todo o mundo" significa todo o mundo!
JESUS DEU A SI MESMO COMO RESGATE POR TODOS -- "O qual
se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a
seu tempo." (1Tm 2:6 ACF)
A palavra "todos" deve ser definida no contexto, e
no contexto ela se refere a todos os homens. Veja
I Tm 2:3-5 – “3 Porque isto é bom e agradável diante de Deus
nosso Salvador, 4 Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao
conhecimento da verdade. 5 Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e
os homens, Jesus Cristo homem.” (ACF) O fato de que Jesus se deu como resgate
em favor de todos os homens demonstra claramente que Sua expiação- propiciação
não estava limitada aos eleitos, e que todos os homens podem ser salvos.
CRISTO RECONCILIOU O MUNDO PARA SI MESMO, E TEM ENTREGUE AOS
CRENTES A PALAVRA DE RECONCILIAÇÃO -- "18 E tudo isto provém de Deus, que
nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da
reconciliação; 19 Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo,
não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da
reconciliação." (2Co 5:18-19 ACF)
Estes versos englobam a doutrina da expiação- propiciação
quanto ao fato que ela se aplica ao mundo [inteiro]. No verso 18 vemos que os
crentes estão reconciliados com Deus por Jesus Cristo, mas no verso 19 vemos
que Deus quer que o processo de reconciliação se estenda a todo o mundo. O fato
que "Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes
imputando os seus pecados" é um ensinamento óbvio das Escrituras, mas não
significa, como os calvinistas argumentam [nos acusando], que [isto
significaria que] todos os homens são automaticamente salvos. (Arthur Pink em
"A Soberania de Deus" pág 62, argumenta pela lógica humana por este
modo: "Se [o sangue de Cristo] tivesse sido oferecido em favor de toda a
humanidade, então o débito de cada homem teria sido cancelado"). A universalidade
da expiação- propiciação de Cristo não significa que todos os homens são
automaticamente salvos, mas que todos os homens PODEM ser salvos porque a obra
de Cristo na Cruz é suficiente para salvá-los, mas eles devem receber a palavra
de reconciliação a qual, é claro, é o evangelho. Vemos também nesta passagem
que os crentes são instrumentos de Deus para pregar a "palavra de
reconciliação" ao mundo. Quando um pecador crê em Cristo, ele, por sua
vez, deve pregar o evangelho da reconciliação para outros. Já que o evangelho
deve ser pregado a todas as pessoas e Deus não quer que ninguém pereça, é óbvio
que cada pessoa tem a possibilidade de ser salvo através de crer [em Cristo e
Sua obra] (Mc 16:15-16; II Pe 3:9).
JESUS PAGOU O PREÇO DA REDENÇÃO DOS FALSOS MESTRES QUE
ENSINARÃO DOUTRINAS DE PERDIÇÃO E NEGARÃO AO CRISTO, POR ISSO IRÃO AO INFERNO
-- "E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá
também falsos doutores, que introduzirão de modo oculto heresias de perdição, e
negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina
perdição." (2Pe 2:1 ACF)
Se o Senhor comprou esses falsos mestres não salvos, e a
Bíblia claramente diz que isto ocorreu, então a doutrina calvinista da expiação-
propiciação limitada cai por terra.
JESUS PROVOU A MORTE POR CADA E TODO HOMEM -- "Vemos,
porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor
do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse
a morte por todos." (Hb 2:9 ACF)
Novamente, está claro nas Escrituras que Jesus morreu para
defender todos os homens e não somente os eleitos.
DEUS ELEGE DE ACORDO COM SEU PRÉ-CONHECIMENTO --
"Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito,
para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam
multiplicadas." (1Pe 1:2 ACF)
A posição calvinista padrão sobre a presciência é
basicamente suprimi-la, fazendo-a ser o mesmo que vontade-prévia, suprimindo completamente
a possibilidade que a escolha de Deus teria algo a ver com o que Ele prevê. Mas
a palavra que Pedro usa para presciência é uma palavra que significa
simplesmente que Deus sabia [de antemão] o que ocorreria. É a palavra grega
"prognose" que ainda é usada na linguagem comum. Quando um médico dá
um prognóstico de uma doença, ele descreve a progressão normal da doença. Ele
está basicamente apto a predizer o futuro pois sabe de antemão o que ocorrerá.
A doutrina da "presciência", se não for redefinida pelo calvinismo,
vai um longo caminho, embora não todo o caminho, na direção de explicar o
mistério de como Deus elegeria mas o homem poderia escolher. Há mais em eleição
que presciência, mas o fato permanece que a Palavra de Deus nos ensina que a presciência
está envolvida [na eleição] e que ela [a presciência] não pode ser redefinida
como "pré-ordenação".
Na sua tentativa de redefinir presciência e moldá-la para
pré-ordenação", os calvinistas usam
At 2:23 que diz que Jesus foi crucificado “... pelo determinado
conselho e presciência de Deus ...". Os calvinistas argumentam que
"determinado conselho" e "presciência" são a mesma coisa,
mas é evidente que são, de fato, duas coisas diferentes. Os calvinistas clamam
que determinado conselho precede a presciência, mas o que deixam de observar é
o "e". Atos 2:23 não diz que Jesus foi crucificado "pelo
determinado conselho que é a presciência de Deus". Diz que Jesus foi
crucificado "pelo determinado concílio E presciência de Deus". Que
Deus [também] tenha elegido conforme Sua presciência significa que Ele não
elege somente conforme seu determinado conselho, e este fato não torna Deus
menos Deus.
JESUS ADVERTIU AOS HOMENS PARA ATENTAREM ÀS SUAS PALAVRAS DO
MODO PRÓPRIO, SENÃO SERÃO JULGADOS -- "Vede, pois, como ouvis; porque a
qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece
ter lhe será tirado." (Lc 8:18 ACF)
Jesus colocou a responsabilidade de ouvir Sua Palavra sobre
os ombros de Seus ouvintes. Se eles ouvissem e fizessem o esforço de procurar
Deus e entender, então seria dado mais a eles. Se não, eles seriam julgados.
Aqui não há eleição soberana.
JESUS DISSE AOS LÍDERES RELIGIOSOS QUE ELES NÃO QUISERAM VIR
A ELE PARA TEREM VIDA -- "E não quereis vir a mim para terdes vida."
(Jo 5:40 ACF)
Ele não disse que não poderiam vir por causa da "total
depravação". Ele disse que eles não queriam vir. Era uma questão de suas
próprias vontades. Ele não disse que eles eram soberanamente não eleitos, ou
que estavam pré-ordenados para a condenação. Ele os repreendeu porque receberam
a luz e a rejeitaram. Este verso e outros tantos ensinam que o pecador tem uma
vontade que pode exercitar contrariamente a Deus, que a vontade de Deus não é
soberana no sentido de não poder ser contrariada.
A FÉ VEM DO CORAÇÃO DO HOMEM -- "11 Esta é, pois, a
parábola: A semente é a palavra de Deus; 12 E os que estão junto do caminho,
estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra,
para que não se salvem, crendo; 13 E os que estão sobre pedra, estes são os
que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas
crêem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam; 14 E a que caiu entre
espinhos, esses são os que ouviram e, indo por diante, são sufocados com os
cuidados e riquezas e deleites da vida, e não dão fruto com perfeição; 15 E a
que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra, a conservam num
coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança." (Lc 8:11-15 ACF)
A Parábola do Semeador nos ensina que fé é algo que os
pecadores podem exercitar e que a diferença entre os corações dos homens e a
resposta ao evangelho não é aquela da eleição soberana, mas é uma questão de
suas próprias vontades. O Senhor Jesus nos diz que a Palavra de Deus caiu sobre
quatro diferentes tipos de corações humanos. Todos os homens são pecadores, mas
nem todos os pecadores não respondem à Palavra de Deus da mesma maneira.
O primeiro tipo de pecador ouve a Palavra de Deus mas o
diabo vem e a retira do coração dele para que não creia e seja salvo. Isto está
explicado em Mt 13:19 –
“Ouvindo alguém a palavra do reino, e NÃO A ENTENDENDO, vem
o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi
semeado ao pé do caminho.” (ACF) A razão porque o primeiro tipo de pessoa não
crê é porque ele não se esforça para [ou não deseja realmente] entender o
evangelho e assim o diabo consegue arrebatar a Palavra de Deus. Isto acontece a
cada dia. O evangelho é pregado a pecadores indiscriminadamente e muitos deles
não dão importância a ele e não tem interesse mesmo em ouvir mais a respeito de
Jesus Cristo. Eles não estão interessados o bastante nem mesmo para ler um
folheto evangélico ou ir a um culto ou a um estudo bíblico evangelístico.
Assim, "... vem logo Satanás e tira a palavra que foi semeada nos seus
corações.” (Mc 4:15 ACF)
O segundo tipo de pecador ouve a Palavra de Deus mas cai fora
quando chega o "tempo de tentação" porque a Palavra de Deus não foi
recebida profundamente no coração e na vida, e, portanto, é facilmente
arrancada. Muitos pecadores caem nesta categoria. Expressam interesse no
evangelho, querem aprender mais. Estão excitados com as coisas de Jesus Cristo.
Mas seu entendimento e "fé" são rasos. Não se esforçam para ter
completo e adequado entendimento do evangelho e não estão verdadeiramente
regenerados e logo caem fora por causa dos problemas que enfrentam com amigos e
parentes, ou ficam ofendidos com algo com que não concordam. Novamente, não se
diz que isto seja o resultado da soberana reprovação, mas é algo sob a
responsabilidade do próprio pecador.
O terceiro tipo de pecador ouve a Palavra de Deus mas
abarrota o coração e a vida com os "cuidados e riquezas e deleites desta
vida". O evangelho de Marcos acrescenta: “... e as ambições de outras
coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera.” (Mc 4:19 ACF) Isto
acontece freqüentemente quando o evangelho é pregado. Muitos pecadores que
mostram algum interesse no evangelho e que vão à igreja e mesmo professam a fé
em Jesus Cristo, caem fora porque não são sérios o bastante com os assuntos
espirituais e permitem que muitas outras coisas sufoquem a Palavra de Deus para
fora de seus corações e vidas. Novamente, aqui não há nem mesmo um sinal de que
tudo isto seja o produtos de uma soberana reprovação. O que [a Bíblia] diz é
que isto é algo que ocorre por causa das próprias respostas do pecador e sua
ações quanto ao evangelho.
O quarto tipo de pecador ouve a Palavra de Deus e acredita
nela e a mantém e produz frutos com paciência. Este é o único dos quarto tipos
de pecadores que realmente chega à salvação.
JESUS MARAVILHOU-SE DA FÉ DO CENTURIÃO-- "E, ouvindo
isto Jesus, maravilhou-se dele, e voltando-se, disse à multidão que o seguia:
Digo-vos que nem ainda em Israel tenho achado tanta fé." (Lc 7:9 ACF)
O calvinismo defende que a fé é dada soberanamente por Deus
como parte do pacote de graça soberana na soberana eleição. Aparentemente o
Senhor Jesus não defende esta doutrina, porque Ele se maravilhou com a fé do
centurião e recomendou esta fé aos judeus. Se a fé é o dom de Deus, o que havia
para se maravilhar? Por que Jesus elogiou a "grande fé" do homem se
fosse algo meramente dado soberanamente por Deus?
FÉ NÃO É UMA OBRA -- "8 Porque pela graça sois salvos,
por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. 9 Não vem das obras, para
que ninguém se glorie;" (Ef 2:8-9 ACF)
Este verso ensina que, ao contrário do que o calvinismo
ensina, a fé não é uma obra. A fé é o meio pelo qual o pecador recebe o dom
gratuito da salvação que foi comprada para ele por Cristo. A fé é a "mão
que se estende para aceitar o dom de Deus". Ao contrário do raciocínio
calvinista, aceitar um dom não é uma obra e não é nada em que o crente possa se
vangloriar. Um presente é 100% daquele que compra e o oferece. O recebedor nada
tem a se vangloriar por recebê-lo.
[Em grego, o pronome "isto" é singular e neutro, e
a coisa mais próxima que pode concordar com ele é "misericórdia", no
verso 4. "Isto" não pode se referir a "fé" (feminino).
Portanto, este verso não diz que a fé é um dom de Deus.]
HOMENS PERECEM PORQUE NÃO RECEBEM O AMOR DA VERDADE --
"10 E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não
receberam o amor da verdade para se salvarem. 11 E por isso Deus lhes enviará a
operação do erro, para que creiam a mentira; 12 Para que sejam julgados todos
os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade." (2Ts
2:10-12 ACF)
Esses pecadores que seguem o anticristo serão condenados não
porque não tenham sido soberanamente eleitos, e não por terem sido
soberanamente reprovados, mas por sua decisão pessoal em relação à verdade. Eles
poderiam ter recebido a verdade e serem salvos, mas a rejeitaram. As palavras
não poderiam se mais claras.
O CRENTE DEVE FAZER [cada vez mais] FIRMES SEU CHAMADO E
ELEIÇÃO -- "Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa
vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis." (2Pe
1:10 ACF)
Independente de este verso ser interpretado como aplicado ao
salvo ou ao quase salvo, a questão para o calvinista é: "Como os soberanos
chamado e eleição podem ser feitos cada vez mais firmes pelo homem?" O
calvinismo ensina que a eleição para a salvação é determinada somente por Deus
e que Ele a comunica irresistivelmente ao pecador através da soberana
regeneração e "o dom da fé". Então, o que este verso significa?
O PREGADOR PODE GANHAR MAIS ALMAS PARA CRISTO PELO MODO COMO
ELE CONDUZ SUA VIDA E MINISTÉRIO -- "Porque, sendo livre para com todos,
fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais. ... Fiz-me como fraco para os
fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios
chegar a salvar alguns." (1Co 9:19,22 ACF)
Paulo sacrificou-se e empreendeu grande esforço para que
mais homens pudessem ser salvos. Se a eleição fosse pré-determinada
soberanamente e irresistivelmente dada, isto não faria sentido. Como as ações
de Paulo poderiam "ganhar mais"? Como suas ações poderiam
"salvar alguns"?
PAULO PERSUADE OS HOMENS -- "Assim que, sabendo o temor
que se deve ao Senhor, persuadimos os homens à fé, mas somos manifestos a Deus;
e espero que nas vossas consciências sejamos também manifestos." (2Co 5:11
ACF)
Se Paulo fosse um calvinista ele não teria escrito isto
porque saberia que os eleitos não precisam ser persuadidos e os não eleitos não
podem ser persuadidos! O pecador [ensina o calvinismo] está tão morto em seus
pecados que, à parte da regeneração e do "dom da fé", ele não poderia
[de modo nem grau nenhum] entender e responder à persuasão humana.
A SALVAÇÃO PODE SER NEGLIGENCIADA -- "Como escaparemos
nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser
anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram;" (Hb
2:3 ACF).
Esta exortação não faz sentido à luz da doutrina calvinista.
Se a eleição é como o calvinista ensina e é uma questão do indivíduo ser
soberanamente escolhido por Deus, como poderia o eleito negligenciar a salvação
e como o não eleito poderia fazer outra coisa senão negar a salvação?
OS CRISTÃOS PROFESSOS SÃO EXORTADOS A NÃO TEREM CORAÇÃO MAU
E DESCRENTE E A NÃO SE SEPARAREM DO DEUS VIVO -- "12 Vede, irmãos, que
nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus
vivo. 13 Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que
se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado;
14-Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o
princípio da nossa confiança até ao fim." (Hb 3:12-14 ACF)
Se os eleitos são pré-determinados "soberanamente"
e se a eleição não tem nada a ver com o próprio pecador aceitar ou rejeitar,
crer ou descrer, e se ele é irresistivelmente atraído e soberanamente guardado
de modo a certamente perseverar, o que poderia possivelmente significar essa
exortação? Como poderia o soberanamente eleito, o irresistivelmente atraído
eleito, se afastar de Deus? E como poderia o não eleito fazer algo que não seja
se afastar de Deus?
TEMOS QUE TRABALHAR PARA ENTRAR NO REPOUSO DE DEUS --
"9-Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus. 10 Porque aquele
que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das
suas. 11- Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no
mesmo exemplo de desobediência." (Hb 4:9-11 ACF)
Como essa exortação poderia possivelmente se aplicar a uma
eleição tipo tulip? Esta passagem diz que o repouso da salvação é algo que cada
pessoa deve procurar para nela entrar e tudo mostra urgência para se fazer
isto, mas a doutrina da eleição "soberana" nos ensina que os eleitos
ao descanso de Deus são pré-determinados somente por Deus e eles não têm
escolha na questão e certamente entrarão no Seu repouso.
JESUS ILUMINA TODO HOMEM QUE VEM AO MUNDO -- "Ali
estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo." (Jo
1:9 ACF)
A Bíblia ensina que os homens estão nas trevas, mortos por
suas transgressões e pecados, mas a Bíblia claramente ensina que Deus dá a luz
a todo o indivíduo que vem ao mundo. Não há outro modo de entender o significado
dessas palavras. Não há modo de aplicar isto somente aos eleitos. O fato é que
Deus atrai os homens à luz e se eles respondem Ele lhes dá mais luz. É o que
vemos no caso de Cornélio em At 10. A Bíblia não diz aqui que a luz que Deus dá
a alguns é mais eficaz que a que Ele dá a outros. Simplesmente diz que Ele
ilumina todo o indivíduo.
O SANTO ESPÍRITO CONVENCERÁ O MUNDO -- "8 E, quando ele
vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. 9 Do pecado,
porque não crêem em mim; 10 Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me
vereis mais; 11 E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está
julgado." (Jo 16:8-11 ACF)
Os calvinistas afirmam que "não é a missão atual do
Espírito Santo convencer o mundo do pecado" e que o "Espírito Santo é
soberano em Suas obras e Sua missão é confinada aos eleitos de Deus"
(Pink, A Soberania de Deus, pág 75, 77). [Mas,] de fato, o Senhor Jesus ensina
clara e inequivocamente em Jo 16 que o Santo Espírito de fato convencerá o
mundo em sua época, tanto ao descrente quanto ao crente. Não há boas razões
para acreditar que "o mundo" nesta passagem significa "os
eleitos". Pois assim a passagem leria: "E quando ele chegar, ele
reprovará o eleito do pecado e da retidão e do julgamento. Do pecado, porque o
eleito não crê em mim..." Mas, claro, o eleito crê em Jesus. Depois, os
calvinistas ensinam que os eleitos são salvos mais pela regeneração que pelo
convencimento. A verdade da questão é que esta importante passagem descreve
como os não salvos, espiritualmente mortos e cegos, são trazidos ao
arrependimento e à fé. É pelo poder de convencimento do Espírito Santo. Pois
nem todos crêem, e isto não é porque só alguns são pré-eleitos para acreditar,
mas porque Deus fez o homem com a habilidade para resisti-Lo e, conforme as Escrituras,
ele vem exercendo essa habilidade desde o Jardim do Éden.
JESUS ATRAIRÁ TODOS OS HOMENS A ELE--"32 E eu, quando
for levantado da terra, todos atrairei a mim. 33 E dizia isto, significando de
que morte havia de morrer."(Jo 12:32-33 ACF)
Aqui o Senhor Jesus prometeu, através de Sua crucificação,
atrair todos os homens a Si. Assim vemos que Ele morreu para tornar possível a
todos os homens serem salvos e que Ele ativamente atraiu todos os homens a Si
mesmo, para este fim. Que todos os homens não sejam salvos não é falha dEle nem
é Sua intenção. Todos são iluminados e todos são atraídos. O que Jesus disse
sobre Israel é verdadeiro a todos os homens: “Jerusalém, Jerusalém, que matas
os profetas, e apedrejas os que te são enviados! QUANTAS VEZES QUIS EU AJUNTAR
ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas,
e TU NÃO QUISESTE!” (Mt 23:37 ACF)
Estes [acima] são apenas alguns poucos dos camelos
calvinistas
Meus amigos, não engulam [destruam] esses grandes camelos da
Palavra de Deus. As Escrituras não estão aí para serem engolidas [destruídas]
ou forçadas dentro de um molde teológico preconcebido, mas [as Escrituras estão
aí] para serem aceitas e cridas. O que quer que signifique a divina eleição (e
ela é certamente uma doutrina importante e freqüentemente ensinada da Palavra
de Deus), ela não pode significar aquilo que o calvinismo conclui [por
raciocínio humano], pois aceitar essa posição requer que se coem [adotem] os
[pequenos] mosquitos e se engulam [destruam] os [grandes] camelos, e Jesus
forçosamente condenou essa prática.
David Cloud,
Tradutora: Jeanne Borgerth Duarte Rangel
Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida
Fiel, da SBTB). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição
IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve
usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753),
fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e
finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
O Que Acontece Quando Morremos?
O que Acontece Quando Morremos?
Por Frank Brito
“Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua
alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12:20)
Esta é, de longe, uma das perguntas mais importantes que
qualquer ser humano pode se fazer. A parábola que Jesus contou sobre o rico
insensato reflete isso:
“Propôs-lhes então uma parábola, dizendo: O campo de um
homem rico produzira com abundância; e ele arrazoava consigo, dizendo: Que
farei? Pois não tenho onde recolher os meus frutos. Disse então: Farei isto:
derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos
os meus cereais e os meus bens; e direi à minha alma: Alma, tens em depósito
muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus lhe
disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado,
para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para
com Deus”. (Lucas 12.16-21)
O rico da parábola tinha como meta principal aproveitar o
máximo a suas próprias riquezas por muitos anos: “Alma, tens em depósito muitos
bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te”. (v.18) Sua perspectiva
sobre seu próprio futuro era exclusivamente o de viver aproveitando os deleites
da riqueza. Suas ações no presente eram somente meios para este fim. A
expectativa do juízo de Deus não fazia parte da equação pela qual ele media
seus atos. Por isso, apesar de ser materialmente rico, ele “não era rico para com
Deus” (v. 21). O que acontece quando morremos? Isso nos ensina duas coisas
fundamentais:
1) Os homens são julgados por Deus no momento da morte.
Os homens poderão até evitar um juízo mais duro da parte de
Deus enquanto vivem na terra, mas o juízo do Senhor é inevitável e inescapável
no momento da morte. Jesus disse: “Insensato, esta noite te pedirão a tua alma;
e o que tens preparado para quem será?” (v.20). Naquela mesma noite ele teria
que prestar contas de sua vida. Naquela noite ele seria julgado pela maneira
que viveu.
2) O veredicto é baseado no que aconteceu durante a vida.
“Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens
preparado para quem será?” (v.20). Um dos meios mais eficazes de Satanás
conduzir os homens ao inferno é convencendo-as que podemos fazer o que
quisermos nesta vida porque depois de mortos é que a gente resolve os nossos
problemas com Ele. Jesus chamou isso de tolice e deixou claro que o veredicto
seria baseado no que ele tinha feito antes de morrer e que depois de morto não
há mais meios de alterá-lo.
O SONO DA ALMA
Ateus e agnósticos costumam defender que o homem é feito
inteiramente de matéria e, sendo assim, o ser humano simplesmente deixa de
existir como ser humano mediante a morte, restando somente o cadáver. Os defensores
do sono da alma – os aniquilistas – como Adventistas do Sétimo Dia e
Testemunhas de Jeová defendem algo parecido. Eles também dizem que, mediante a
morte, o ser humano entra em estado de inconsciência. A diferença é que ateus e
agnósticos acreditam que é um estado permanente e irreversível, enquanto os
aniquilistas defendem que o estado de inconsciência é somente até a
ressurreição na Segunda Vinda de Cristo. O principal argumento para defender
essa posição é que a Bíblia frequentemente compara a morte com o ato de dormir:
“Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos
que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm
esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos
que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele”. (I Tessalonicenses
4:13-14)
Segundo os aniquilistas, morrer é equivalente a dormir
porque quando morremos entramos em um estado de inconsciência. O primeiro erro
desse argumento é o simples fato de que quando nós dormimos não entramos em um
estado de inconsciência. Com exceção daqueles que sofreram sérios danos
cerebrais, nós sonhamos sempre que dormirmos. Muitos dizem não sonhar, mas na
realidade o que acontece é que não se lembram do sonho. A mente não “desliga”
quando dormimos. A Bíblia é repleta de pessoas sonhando quando dormem. Isso,
por si só, é suficiente para provar que quando a Bíblia compara a morte com o
ato de dormir, a intenção não é dizer que quando morremos nos tornamos
inconscientes simplesmente porque, biblicamente, dormir não significa estar
inconsciente. José, enquanto dormia, não estava em estado de inconsciência, mas
estava conversando com um anjo sobre Jesus:
“E, projetando ele isso, eis que em sonho lhe apareceu um
anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua
mulher, pois o que nela se gerou é do Espírito Santo; ela dará à luz um filho,
a quem chamarás JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Ora,
tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor
pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será
chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco. E José, tendo despertado do
sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher”. (Mateus
1:20-24)
Mas se dormir não significa que a mente entra em estado de
inconsciência, por que a Bíblia faz essa comparação então? Por dois motivos.
Primeiro, a relação do morto com o mundo ao seu redor é semelhante à relação de
quem dorme com o ambiente ao seu redor. Os mortos não interagem com os vivos da
mesma forme que os que dormem não interagem com os que estão acordados.
Segundo, se estamos dormindo, isso significa que em algum momento vamos
acordar:
“E, tendo assim falado, acrescentou: Lázaro, o nosso amigo,
dorme, mas vou despertá-lo do sono. Disseram-lhe, pois, os discípulos: Senhor,
se dorme, ficará bom. Mas Jesus falara da sua morte; eles, porém, entenderam
que falava do repouso do sono. Então Jesus lhes disse claramente: Lázaro
morreu”. (João 11:11-14)
Jesus não disse que Lázaro estava literalmente dormindo.
Dormir era uma figura de linguagem para dizer que Lázaro não iria ficar
permanentemente morto, mas que iria ressuscitar. O objetivo da Bíblia ao
comparar os mortos com aqueles que dormem, não é dizer que estão em estado de
inconsciência, mas é dizer que um dia irão ressuscitar. Como em outra ocasião:
“Enquanto ainda lhes dizia essas coisas, eis que chegou um
chefe da sinagoga e o adorou, dizendo: Minha filha acaba de falecer; mas vem,
impõe-lhe a tua mão, e ela viverá. Levantou-se, pois, Jesus, e o foi seguindo,
ele e os seus discípulos… Quando Jesus chegou à casa daquele chefe, e viu os
tocadores de flauta e a multidão em alvoroço, disse; Retirai-vos; porque a
menina não está morta, mas dorme. E riam-se dele. Tendo-se feito sair o povo,
entrou Jesus, tomou a menina pela mão, e ela se levantou”. (Mateus 9:18-25)
Da mesma forma que José, enquanto dormia, não estava
inconsciente, mas conversava com um anjo, aqueles que morrem também não entram
em estado de inconsciência, mas são transportados, em espírito, para o céu ou
para o inferno.
QUANDO MORRER É LUCRO
“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Mas,
se o viver na carne resultar para mim em fruto do meu trabalho, não sei então o
que hei de escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de
partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor; todavia, por causa
de vós, julgo mais necessário permanecer na carne”. (Filipenses 1:21-24)
Aqui o Apóstolo, já no fim de sua carreira, comenta que ele
estava dividido sobre o que ele queria para si mesmo – “de ambos os lados estou
em aperto”. Por um lado, ele queria continuar vivo para poder continuar a
servir de instrumento para a edificação da Igreja. Por outro lado, ele queria
morrer para estar com Cristo. Isso significa que, mediante a morte, os crentes
são imediatamente transportados à presença de Cristo nos céus. É por isso que a
morte seria “muito melhor” do que continuar vivo. Enquanto vivo, Cristo está
espiritualmente conosco, mas não corporalmente. Quando morremos, somos
transportados à presença de Cristo no céu.
É importante notar também as expressões que ele usa para se
referir à viva e à morte. Continuar vivo é “permanecer na carne” e que morrer é
“partir”. Isso reflete a ideia anterior de que quando morremos, somos
transportados à presença de Cristo. Evidentemente, não somos corporalmente
transportados ao céu. O que é transportado é nossa alma. Continuar vivo é
permanecer na carne porque quando morremos nossa alma deixa nosso corpo.
Diversos textos bíblicos refletem isso:
“Então se estendeu sobre o menino três vezes, e clamou ao
SENHOR, e disse: O SENHOR meu Deus, rogo-te que a alma deste menino torne a
entrar nele. E o SENHOR ouviu a voz de Elias; e a alma do menino tornou a
entrar nele, e reviveu. E Elias tomou o menino, e o trouxe do quarto à casa, e
o deu a sua mãe; e disse Elias: Vês aí, teu filho vive. Então a mulher disse a
Elias: Nisto conheço agora que tu és homem de Deus, e que a palavra do SENHOR
na tua boca é verdade”. (I Reis 17:20-24)
“Estando ele ainda falando, chegou um dos do príncipe da
sinagoga, dizendo: A tua filha já está morta, não incomodes o Mestre. Jesus,
porém, ouvindo-o, respondeu-lhe, dizendo: Não temas; crê somente, e será salva.
E, entrando em casa, a ninguém deixou entrar, senão a Pedro, e a Tiago, e a
João, e ao pai e a mãe da menina. E todos choravam, e a pranteavam; e ele
disse: Não choreis; não está morta, mas dorme. E riam-se dele, sabendo que
estava morta. Mas ele, pondo-os todos fora, e pegando-lhe na mão, clamou,
dizendo: Levanta-te, menina. E o seu espírito voltou, e ela logo se levantou; e
Jesus mandou que lhe dessem de comer”. (Lucas 8:49-55)
“E, estando um certo jovem, por nome Êutico, assentado numa
janela, caiu do terceiro andar, tomado de um sono profundo que lhe sobreveio
durante o extenso discurso de Paulo; e foi levantado morto. Paulo, porém,
descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que
a sua alma nele está”. (Atos 20:9-10)
Isso deixa claro que, mediante a morte, a alma deixa o corpo
e que, exceto em casos extraordinários de ressurreição, as almas dos justos são
imediatamente transportadas à presença de Cristo no céu. O Apocalipse também
deixa isso claro:
“E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as
almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho
que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo
Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?”
(Apocalipse 6:9-10)
“Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual
ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que
estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com
palmas nas suas mãos; E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus,
que está assentado no trono, e ao Cordeiro. E todos os anjos estavam ao redor
do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono
sobre seus rostos, e adoraram a Deus, Dizendo: Amém. Louvor, e glória, e
sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo
o sempre. Amém. E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de
vestes brancas, quem são, e de onde vieram? E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E
ele disse-me: Estes são os que vieram de grande tribulação, e lavaram as suas
vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono
de Deus, e o servem de dia e de noite no seu templo; e aquele que está
assentado sobre o trono os cobrirá com a sua sombra. Nunca mais terão fome,
nunca mais terão sede; nem sol nem calma alguma cairá sobre eles. Porque o
Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para
as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima”.
(Apocalipse 7:9-17)
O templo terrestre do Antigo Pacto era uma sombra do templo
do Novo Pacto – o céu. “Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos,
figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante
a face de Deus” (Heb 9:24). O céu é um lugar real no qual Cristo está com o
mesmo corpo que ressuscitou. “Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi
recebido no céu” (Marcos 16:19). É por isso que, no Apocalipse, João diz que
viu que os mártires estavam “diante do trono de Deus, e o servem de dia e de
noite no seu templo”. O templo é o céu. É por isso que ele diz também que
estavam “debaixo do altar”. O altar era uma parte do templo. Com Paulo explicou
também aos Coríntios:
“Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste
tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por
mãos, eterna, nos céus. E por isso também gememos, desejando ser revestidos da
nossa habitação, que é do céu; Se, todavia, estando vestidos, não formos
achados nus. Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos
carregados; não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal
seja absorvido pela vida. Ora, quem para isto mesmo nos preparou foi Deus, o
qual nos deu também o penhor do Espírito. Por isso estamos sempre de bom ânimo,
sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor (Porque
andamos por fé, e não por vista). Mas temos confiança e desejamos antes deixar
este corpo, para habitar com o Senhor. Pois que muito desejamos também ser-lhe
agradáveis, quer presentes, quer ausentes”. (II Coríntios 5:1-9)
O que Paulo diz ai é essencialmente o mesmo que ele diz aos
Filipenses. “Enquanto estamos no corpo vivemos ausentes do Senhor”, mas quando
deixamos este corpo, isto é, quando morremos, nossa alma é imediatamente
recebida nos braços do Senhor no céu.
PARA QUE A RESSURREIÇÃO E O JUÍZO FINAL?
Um argumento muito frequente entre os aniquilistas é o
seguinte:
- Se, mediante a morte, os homens já são julgados e
transportados para o céu ou para o inferno, qual seria a necessidade de haver a
ressurreição e o juízo final depois?
A pergunta pode ser respondida com outra pergunta: Se Faraó
já será julgado no juízo final, porque Deus já o julgou afogando-o no mar
vermelho? O juízo final é o juízo final e não o juízo único. Deus não julga o
homem uma única vez para nunca mais julgar. Deus julgou Faraó com diversas
pragas, afogando no mar vermelho, lançando sua alma no inferno e, no juízo
final, o julgará de novo lançado ele de corpo e alma no lago de fogo (Ap 20:15).
Na morte dos ímpios, somente suas almas são entregues ao inferno, mas não seus
corpos. Da mesma forma, na morte dos justos, somente suas almas vão para a
presença de Deus, mas não seus corpos. Mas Deus é o criador tanto da alma
quanto do corpo (Zc 12:1) e, portanto, ele salva e condena tanto a alma quanto
o corpo.
Como desde o princípio de nossa existência, nós sempre
tivemos com nosso corpo, nós não sabemos qual é a sensação de ser uma alma sem
o corpo. Não temos meios de saber ao certo que diferença faz porque a Bíblia
não entra em detalhes sobre isso. Mas, se Deus trata a ressurreição como algo
importante, devemos inferir que a alma sem o corpo tem alguma sensação de que
ainda falta alguma coisa. Se o corpo fosse desnecessário, a ressurreição não
seria importante. Como a ressurreição é importante, segue-se que a alma sem o
corpo tem a consciência de que ainda é um indivíduo incompleto. O que podemos
saber com toda certeza é que, depois do juízo final, o tormento dos ímpios e a
alegria dos justos serão mais intensos e completos por conta do corpo.
FONTE:http://resistireconstruir.wordpress.com/2013/06/29/o-que-acontece-quando-morremos/
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