Retire a pedra de tropeço

Retire a pedra de tropeço
Se o teu olho te escandalizar,arranca-o e lança para longe de ti.

sábado, 27 de novembro de 2010

O que é estar vivo e morto?

A condição de mortos perante Deus decorre da pena instituída no alerta divina (certamente morrerás), como resultado do juízo e condenação. A condenação trouxe inimizada e separação, visto que Deus é vida e todos que existem separados d’Ele estão mortos. Em Deus não há trevas nenhuma, pois todos que são trevas estão separados d’Ele. Como não há comunhão entre a Luz e as trevas, claro está que não há comunhão entre Deus (vida) e os homens sob condenação (mortos).
O que é estar 'vivo' e 'morto'?
Como Paulo declarou que Deus justifica aqueles que estão mortos, a resposta para as quatro premissas em pauta só pode estar na frase: “Porque aquele que está morto está justificado do pecado”.
Antes de esclarecemos o mistério acima, devemos verificar no que consiste 'estar morto', e no que consiste 'estar vivo'. 
A bíblia estabelece uma relação entre 'morte' e 'vida'. Da relação verifica-se que é impossível estar vivo para o pecado e vivo para Deus simultaneamente. Não há como o homem assumir as duas condições (posições) simultaneamente diante de Deus. Ou seja, quando o homem está vivo para o pecado, ele está morto para Deus, ou, quando ele está vivo para Deus, está morto para o pecado.
Talvez o leitor pergunte: porque não é possível estar vivo para o pecado e vivo para Deus simultaneamente?
Não é possível por causa das seguintes razões:  
“Pois é Cristo quem morreu, ou antes, quem ressuscitou dentre os mortos...” ( Rm 8:34 
Paulo em seu cântico de vitória fez referência à morte de Cristo. Porém, o Cristo que morreu, também ressuscitou dentre os mortos. Da mesma forma que os que crêem se conformam com Cristo na morte (morre com ele), com Ele também ressurgem dentre os mortos  (ou antes).
É instantâneo! Ou seja, aquele que crê em Cristo morre para o pecado e passa a viver para Deus. Da mesma forma que ao desobedecer à determinação divina, Adão passou de imediato à condição de morto para Deus, assim também, aqueles que crêem em Cristo são ressuscitados de imediato com Cristo, e passam a viver para Deus. 
Devemos ter em mente que Deus é Senhor de todos e de todas as coisas. Deus é Senhor de Vivos e de Mortos, pois para ele, todos vivem “Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos ( Lc 20:38 ; 2Tm 4:1 ; Rm 14:9 ).
Estes versículos referem-se a vivos e mortos, ou seja, ele aborda a morte do corpo e imortalidade dos homens. Ex: Lázaro, o mendigo, viveu neste mundo e quando morreu, somente deixou de habitar este tabernáculo terrestre e passou a viver na eternidade ( Lc 16:20 -25). O homem rico, que também morreu, estava morto para Deus enquanto existia neste mundo, e quando morreu (deixou o tabernáculo terrestre) passou a eternidade na condição de morto (separado).
Estas são algumas referências à palavra morte e possíveis  usos que a bíblia contém dos termos ‘morte’ e ‘vida’. 
Porém, quando a bíblia diz: “Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo...” ( Ef 2:5 ), demonstra que há outro emprego para os termos 'morte' e 'vida'.
Quando o homem está sem Deus no mundo (sem Cristo) ( Ef 2:12 ), está morto para Deus. A condição ‘morte’ do homem é resultado da condenação estabelecida lá no jardim do Éden, em Adão.
Quando Deus disse ao casal que no dia em que comessem da árvore do conhecimento do bem e do mal, certamente morreriam, foi dada uma determinação ou alerta (não comerás), um tempo (no dia), a certeza de punição (certamente), e o tipo de punição (morrerá): a morte.
Do juízo lá no Éden resultou a condenação da humanidade! Ou seja, “O Juízo veio de uma só ofensa na verdade, para condenação...” ( Rm 5:16 ). Adão e Eva foram criados vivos para Deus, e após a condenação, passaram a condição de mortos perante Deus.
A condição de mortos perante Deus decorre da pena instituída no alerta divina (certamente morrerás), como resultado do juízo e condenação. A condenação trouxe inimizada e separação, visto que Deus é vida e todos que existem separados d’Ele estão mortos. Em Deus não há trevas nenhuma, pois todos que são trevas estão separados d’Ele.
Como não há comunhão entre a Luz e as trevas, claro está que não há comunhão entre Deus (vida) e os homens sob condenação (mortos).
Por ‘estar’ morto perante Deus, todas as obras que o homem realiza nesta condição está maculada pelo pecado. Se fizer boas ou más ações perante os homens, elas não mudam a condição do homem culpado perante Deus, pois as 'boas obras' só são realizáveis em Deus, que às preparou de antemão, para aqueles que crêem em Cristo.
Ao pecar, Adão foi condenado à morte, e todos os homens foram condenados com ele. Como todos morrem, e certo que todos pecaram “...assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” ( Rm 5:12 ).
A vida só é possível em Jesus, pois por meio de Cristo o homem alcança o dom gratuito de Deus, que é a vida eterna. Cristo é o único acesso dos homens a Deus. Se aceitar a Cristo, o homem passa a ser filho da luz, e viverá na luz de Deus (comunhão).
Assim que: morte é resultado da condenação que ocorreu no jardim do Éden, onde todos os homens tornaram pecadores. Vida é resultado da reconciliação dos homens com Deus. O homem é novamente criado em verdadeira justiça e santidade e passa a viver para Deus ( Ef 4:24 ).
Precisaremos deste conceito posteriormente: O velho homem morre, é sepultado, e após, surge um novo homem, criado segundo Deus em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ). 
Com base no que acabamos de ver, percebe-se que, quando o apóstolo Paulo diz que “... estou crucificado com Cristo...”, ele faz referência à morte com Cristo e não a sua morte física.
Quando ele diz que vive (... e vivo ...), expressa uma nova condição perante Deus. Ele não fez referência a sua vida física.
Já na segunda parte do versículo, quando ele diz: “... e a vida que agora vivo na carne...”, esta 'vida' refere-se à vida física.
Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” ( Gl 2:20 )
Quando o apóstolo Paulo afirma que já está crucificado com Cristo, ele deixa claro que morreu para o pecado, e que, agora, a sua vida está escondida com Cristo em Deus (Cristo vive em mim). Paulo deixou de viver uma vida de 'sujeição' à lei (farisaísmo), e passou a viver o seu dia-a-dia (na carne) por meio da fé em Jesus.
Só é possível ao homem estar na condição de "vivo em Cristo" após ter sido crucificado e sepultado com Cristo.

“Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte”
 ( Rm 8:2 

A nova vida que o homem vive em Cristo (vida) não pode ser compartilhada quando se está no pecado (morte), pois o pecado é causa da condenação do homem sem Cristo. A vida que Deus concede ao homem por intermédio da fé em Cristo livra-o da condição anterior: do pecado (causa do juízo e condenação) e da morte (pena).
De sorte que, ao crer em Cristo, o homem torna-se participantes da sua morte, por meio do corpo de Cristo que foi entregue em prol dos pecadores. O velho homem é morto quando crucificado com Cristo (ou, o homem é circuncidado com a circuncisão de Cristo, que é o despojar do corpo da carne) ( Cl 2:11 ), e passa a viver (nova criatura) por meio do Espírito Eterno, por causa da justiça.
Desta maneira, quando o apóstolo demonstra que o cristão esta morto com Cristo para o pecado, é o mesmo que dizer que os cristãos estavam vivos por meio do Espírito Eterno.
“E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça” ( Rm 8:10 );
“Pois morrestes, e a vossa vida está oculta com Cristo em Deus” ( Cl 3:3 )

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Quando o homem escolhe entrar pela ‘porta larga’?

Seguir pelo caminho de perdição não é conseqüência das decisões em praticar boas ou más ações. Não são as escolhas entre o bem e o mal que coloca o homem no caminho de perdição. Seguir pelo caminho de perdição não depende do comportamento, da moral, da consciência, das virtudes, das boas ações, da religião, da origem, da condição social, etc.
No Sermão do Monte Jesus anunciou à multidão haver duas portas e dois caminhos. Uma das portas dá acesso a um caminho de perdição e a outra porta dá acesso ao caminho de salvação ( Mt 7:13 ).
Cristo é a ‘porta estreita’ e o ‘caminho’ que conduz a vida "Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens" ( Jo 10:9 ); "Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" ( Jo 14:6 ).
A ordem de Jesus é clara: “Entrai pela porta estreita” (V. 13), o que demanda uma decisão por parte do homem. O homem sem Deus não está em uma posição cômoda, pois precisa decidir-se entrar pela porta estreita. Não há outro caminho de salvação.
Só existem dois caminhos e o convite de Jesus é para que o homem entre pela porta estreita. Isto significa que o homem já se encontra no caminho largo que conduz à perdição. Não há duas portas diante do homem, pois ao nascer já entrou por uma delas: a porta larga. O homem sem Deus encontra-se em um caminho que inexoravelmente o conduzirá a perdição. Ele precisa decidir-se pela porta estreita, pois já trilha o caminho de perdição “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado...” ( Jo 3:18 ).
É fato: só existem dois caminhos, e quem não entra por Cristo está no caminho de perdição, destituído de Deus.
A humanidade sem Cristo percorre o caminho de perdição porque entrou pela porta larga. Não há como o homem trilhar o caminho de perdição sem antes entrar pela porta larga “Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz a perdição” ( Mt 7:13 ).
Quando foi que os homens escolheram entrar pela porta larga? Entrar pela porta larga é resultado de uma escolha por parte dos descendentes de Adão? Quem é a porta larga?
Quando Jesus anunciou a Nicodemos a necessidade de nascer de novo, ele estava esclarecendo que, através do nascimento natural (segundo a descendência de Adão), o homem passa a percorrer o caminho de perdição. O nascimento segundo Adão é a porta larga pelo qual todos os homens têm acesso ao caminho de perdição ( 1Co 15:45 ).
O novo nascimento dá acesso ao caminho estreito que é Cristo, o último Adão. O nascimento natural é o modo pelo qual o homem entra pela porta larga, que é Adão. O acesso à porta larga é através do nascimento natural, assim como o novo nascimento é o acesso ao caminho estreito.
Ora, se o nascimento natural é o acesso ao caminho largo, conclui-se que os homens não tiveram como optar entre dois caminhos. Ao nascerem, entraram pela porta larga que deu acesso ao caminho de perdição. Uma vez que o homem gerado segundo Adão, ao nascer, entra pela porta larga, seguir pelo caminho de perdição não é resultado de uma escolha ou de uma decisão por parte dos filhos de Adão. Para entrar pela porta larga, que é Adão, basta nascer.
Seguir pelo caminho de perdição não é conseqüência das decisões em praticar boas ou más ações. Não são as escolhas entre o bem e o mal que coloca o homem no caminho de perdição. Seguir pelo caminho de perdição não depende do comportamento, da moral, da consciência, das virtudes, das boas ações, da religião, da origem, da condição social, etc.
A bíblia demonstra que todos os descendentes de Adão estão destituídos da glória de Deus por causa da desobediência no Éden. Ao pecar, Adão condenou toda a humanidade a seguir um caminho de perdição.
Ao falar do seu nascimento, Davi aponta e reconhece nele a origem da sua condição de pecado: “Certamente em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu a minha mãe” ( Sl 51:5 ). Davi e Isaias tinham a consciência de que eram pecadores por causa do primeiro pai da humanidade "Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim" ( Is 43:27 ).
O apóstolo Paulo reitera através das Escrituras que todos os homens pecaram; que não há um justo, nenhum se quer ( Rm 3:10 e 23). A condição de pecado da humanidade é proveniente da ofensa de um só homem que pecou: Adão ( Rm 5:15 ), e os seus descendentes são escravos do pecado.
Durante a existência dos pecadores neste mundo é possível fazerem inúmeras escolhas, porém, não são as escolhas diárias que os faz entrar ou permanecer no caminho de perdição.
Ao ‘entrar’ por Adão (nascer do sangue, vontade do varão e vontade da carne), os homens passam a andar por um caminho de perdição ( Jo 1:12 -13). É como se entrasse por uma rodovia que segue para uma cidade. Ao escolher ir a pé, de charrete, de cavalo, de bicicleta, de moto ou de carro não mudará o resultado final. Independentemente do meio de transporte, ele está no caminho.
Não importa se os homens nascidos de Adão busquem viver uma vida semelhante à de Nicodemos (homem regrado, fariseu, juiz, mestre, judeu) ou uma vida semelhante a da mulher Samaritana (mulher desregrada, comum do povo, samaritana): todos que não nasceram de novo, ou que não tomaram da água que faz saltar para a vida eterna, trilham o caminho de perdição.
As escolhas entre as várias formas de viver neste mundo não determinará e nem influenciará o caminho que o homem passou a trilhar após entrar por Adão (porta larga). Filosofia de vida ou religiosidade pautada pela moral e bons costumes não trará ao homem o reino dos céus.
Escolher entre fazer boas e más ações não mudará o caminho que o homem passou a trilhar após ser gerado segundo Adão.
  • Entrar pela porta larga não é resultado de uma escolha por parte do homem;
  • Tanto a boa ação quanto a má ação que o homem faz só aproveitará ou prejudicará ao próximo e a si mesmo ( Jó 35:8 ; Pv 17:13 );
  • Escolher entre boas e más ações, entre justiças e injustiças não mudará o caminho pelo qual o homem entrou ao nascer de Adão ( Jó 35:6 -7);
Ora, se o melhor dos homens é como um espinho, e o mais reto é como uma sebe de espinhos, conclui-se que ambos: o melhor e o mais reto dos homens  trilham o mesmo caminho, o caminho de perdição. Que se dirá do pior dos homens? "O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos; veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua punição; agora será a sua confusão" ( Mq 7:4 ).
É por isso que Isaias nomeia as boas ações dos homens como sendo teias de aranha, trapos de imundície ( Is 59:6 ). Por mais que se esforcem para praticar boas ações, os seus pés trilham o caminho de perdição. Os pés daqueles que não trilham o caminho conhecido por Deus correm para o mal ( Sl 1:6 ), embora desejem e executem boas ações. Não conhecem o caminho de paz. As suas veredas são tortuosas ( Is 59:8 ).
Todas as religiões foram e são concebidas pelos homens e todas elas concentram-se em melhorar as ações de seus seguidores. Todas apregoam que é necessário ao homem fazer boas escolhas, fazer o bem aos seus semelhantes, porém, tais ‘obras’ não podem salvar. Diante do Grande Trono Branco as suas obras não lhes aproveitarão "Eu publicarei a tua justiça, e as tuas obras, que não te aproveitarão" ( Is 57:12 ).
Algumas religiões apregoam o ascetismo pessoal, outras impõem restrições de dias, outras restringem alimentos, outras restringem certos prazeres, outras impõem o moralismo, o legalismo, o formalismo, etc., porém, nenhuma delas pode fazer o homem trilhar o caminho de salvação.
O evangelho de Cristo demonstra que, quem não nascer de novo, ou seja, quem não entrar pela porta estreita, jamais verá a Deus. Não é uma escolha entre dois caminhos, antes é decisão, a de entrar pela porta estreita. Para quem trilha o caminho de morte não há opções, só uma decisão: a de entrar pela porta que é Cristo, nascendo de novo.
Por natureza todos os homens gerados segundo Adão são carnais, pois o que é nascido da carne é carnal. Do mesmo modo, todos que são gerados de Deus (Espírito) são filhos de Deus (espirituais). De onde surgiu o conceito de que o homem não é carnal e nem espiritual? É possível um meio termo? “O que é nascido da carne, é carne, mas o que é nascido do Espírito, é espírito” ( Jo 3:6 )
Para ser espiritual já não é necessário nascer do Espírito? A capacidade de ser espiritual ou carnal é determinada pelas escolhas dos homens? Não é Deus quem cria os homens espirituais? Fazer ‘boas ações’ transforma o homem carnal em espiritual?
Não aprendemos assim de Cristo, visto que, mesmo sabendo fazer boas ações, todos os que não são nascidos de Deus são maus: "Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos..."  ( Lc 11:13 ). Ora, não são as boas ou as más ações que tornam o homem ‘bom’ ou ‘mau’ diante de Deus, antes só é aceito diante de Deus aquele que é gerado de Deus, ou seja, a quem é concedido o Espírito Santo.
Em que posição encontra-se o homem que lhe é possível escolher entre dois caminhos? O homem sem Deus trilha o caminho de perdição ou está em um ‘limbo’? Como escolher entre dois caminhos se o homem encontra-se no caminho de perdição?
O homem nasce pecador ou aprende a pecar durante a sua existência? Um ambiente regrado (por objeções impostas por homens) fará com que o homem deixe o ‘hábito’ de ser pecador? A falta de ‘objeções’ na vida cotidiana leva o homem a ser pecador? O pecado é um hábito? Um homem sem Cristo com boa conduta diante da sociedade está livre do pecado?
Por causa da ofensa de Adão o juízo de Deus foi estabelecido sobre todos os homens para condenação. Ninguém aprende pecar, visto que em pecado e em iniqüidade o homem é concebido.
É certo que no futuro Deus trará todos os homens a juízo por causa de suas obras feitas por meio do corpo, e nisto não há acepção de pessoas. Os salvos serão julgados com relação às suas obras no tribunal de Cristo, e por isso devem viver de modo que não dêem escândalo a judeus, nem gregos e nem a igreja de Deus. Os perdidos também serão julgados com relação as suas obras, só que no Tribunal do Trono Branco e suas boas ações não lhes aproveitarão, pois não foram feitas em Deus. Eles seguirão para a perdição.
É preciso saber divisar bem o propósito do evangelho e as questões relativas ao comportamento dos cristãos. O evangelho de Cristo é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. Ou seja, entrar pela porta estreita, nascer de novo, beber da água que faz jorrar uma fonte para a vida eterna.
Após estar em Cristo (no caminho de salvação) é necessário ter o mesmo pensamento do escritor aos Hebreus: "Orai por nós, porque confiamos que temos boa consciência, como aqueles que em tudo querem portar-se honestamente" ( Hb 13:18 ).
A vontade dos cristãos deve ser o de portar-se de modo honesto em tudo. Ter boa consciência esforçando-se para ser agradável aos homens em tudo é louvável diante de Deus ( 1Co 10:32 -33).



Nenhuma Condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.

A humanidade perdeu a liberdade por estar cativa da condição proveniente da punição imposta a ofensa de Adão. Ele não ficou cativo quanto à sua vontade (livre arbítrio), e sim com relação à sua natureza. A natureza do homem passou à condição de escrava do pecado (morto), o que cortou o vínculo do homem com aquele que é a vida.

A Queda 
Após a queda Adão passou a condição de morto para Deus e vivo para o mundo. Esta condição está atrelada à natureza do homem.
Adão foi criado com uma natureza segundo a natureza divina: santo, justo e bom. Diante de Deus Adão era inculpável e irrepreensível. Após a queda Adão perdeu o vínculo (comunhão) com o Autor da vida e tornou-se morto para Deus. Ele passou à condição de culpável, repreensível e condenável diante de Deus.
Esta ‘nova’ condição de Adão é descrita e representada de diversas maneiras pelos escritores da bíblia.
A figura da escravidão é uma maneira simples de representar a condição do homem caído. Em Deus Adão era livre, ou seja, ele estava em uma condição cômoda, não precisava tomar nenhuma decisão. Alienado de Deus passou a ser escravo do pecado e vendeu todos os seus descendentes ao pecado.
A humanidade perdeu a liberdade por estar cativa da condição proveniente da punição imposta a ofensa de Adão. Ele não ficou cativo quanto à sua vontade (livre arbítrio), e sim com relação à sua natureza. A natureza do homem passou à condição de escrava do pecado (morto), o que cortou o vínculo do homem com aquele que é a vida.
O homem era agradável a Deus quando participante da natureza divina. Após a queda esta capacidade se perdeu devido à nova condição do homem: alienado do Criador. Ele passou a servir outro senhor, o pecado. A condição de servo de Deus perdeu-se e todos quantos nascem, nascem mortos para Deus, vivos para o pecado e servindo ao pecado.
Embora o homem tenha desejo de ser livre, ele não dispõe de meios para se salvar. O homem sem Deus não consegue alcançar a vida que tinha antes por intermédio de suas ações, visto que todas elas pertencem por direito ao seu senhor, o pecado. Muitos querem se salvar através de uma religião, boas ações, sacrifícios, bom comportamento, etc. Todas estas coisas são inócuas, uma vez que o homem continua vivo para o mundo e morto para Deus.
É neste ponto que entra a oferta redentora de Deus.

A Redenção: uma necessidade!
A figura da árvore ilustra bem a condição do homem: pelo fruto se conhece a árvore. A árvore boa produz fruto bom e a arvore má, frutos maus. Só é possível produzir frutos bons quando o homem é de novo gerado da semente incorruptível (a palavra de Deus), e daí por diante todos os seus frutos serão bons, pois são produzidos em Deus.
Quem é nascido da carne e do sangue e da vontade do varão sempre produzirá segundo a sua espécie (natureza). As suas obras não são feitas em Deus, visto que não foi plantado por Deus ( Mt 15:13 ), ou seja, nasceu de Adão, da semente corruptível que teve origem na queda. 
Neste aspecto se encaixa a figura da escravidão, visto que é impossível servir a Deus e ao mesmo tempo produzir para o pecado, ou vice-versa: servir ao pecado e produzir para Deus.
Antes de viver para Deus o homem precisa morrer para o pecado e o mundo!
Para o homem submeter a sua velha natureza à morte é preciso ter um encontro com a cruz de Cristo. É preciso morrer para depois ressurgir uma nova criatura gerada pela palavra de Deus (poder).
A necessidade da redenção é dupla: primeiro é preciso morrer para depois tornar-se participante da vida que há em Deus: ser gerado de novo!
Muitos alegam que o homem perdeu a capacidade de crer na mensagem do evangelho, e que essa vontade só é restaurada após a regeneração. Observe que estes esquecem que não há um novo nascimento se antes não houver morte. Como morrer com Cristo se a capacidade de crer, como dizem os monergistas, só é concedida após a regeneração?
Se para morrer com Cristo o homem precisa crer na mensagem do evangelho ( Mt 10:38 ), como é possível crer se tal ‘capacidade’ só contempla os regenerados? Se a fé vem pelo ouvir, como os mortos alcançarão fé se não podem crer sem antes serem regenerados?
O pecado de Adão fez com que a humanidade passasse a existir na condição de mortos para Deus e vivos para o mundo. Para reverter este processo, o homem precisa morrer para o mundo para voltar a ter vida em Deus, o que só é possível quando o homem crê em Cristo, conformando-se com Cristo na sua morte.
É por isso que Jesus disse a Nicodemos: Necessário vos é nascer de novo ( Jo 3:7 ).
O novo nascimento é simples: Quando o homem obedece à verdade do evangelho recebe de Deus poder para ser feito (criado) de novo. É de novo plantado (de uma semente incorruptível). O novo nascimento se dá através da ressurreição de Cristo, pois se o homem foi sepultado na semelhança da sua morte, ressurge à semelhança de Cristo ( 1Pd 1:3 e 22- 23).
É por esse motivo que Paulo é enfático ao dizer que os cristãos já morreram com Cristo "Ora, se já morremos com Cristo..." ( Rm 6:8 ). A certeza da morte com Cristo é que confirma a fé na ressurreição dentre os mortos. Sem crer que já está morto com Cristo, é impossível crer que com Ele ressurgiu.
Após crer em Jesus, o homem passa a estar vivo para Deus e mortos para o pecado ( Rm 6:11 ). Esta condição não era assim antes de ser plantado (sepultado) com Cristo na sua morte: antes estava vivo para o pecado e morto para Deus.
Se o homem quiser livrar-se do pecado precisa ser sepultado com Cristo, ou seja, ser plantado juntamente com ele na sua morte ( Rm 6:4 -5). Após morrer com Cristo o homem terá direito a comparecer perante o Tribunal de Cristo, e estará livre do Trono Branco ( Rm 8:1 ).
É por isso que Paulo diz: “PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito..”, visto que ao ser gerado de novo e na condição de nova criatura, o homem livra-se da condenação em Adão e de comparecer perante o Grande Trono Branco.
Caso houvesse somente uma condenação, Paulo diria: “Portanto, agora não há condenação...”, mas, como o homem foi julgado, condenado e apenado com a morte em Adão, e será apresentado perante o Trono Branco para ser julgado com relação às obras, segue-se que, para os que estão em Cristo, nenhuma condenação há para os que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.
Se permanecer na mesma condição que veio ao mundo, o homem seguirá para o Grande Trono Branco na condição de condenado à perdição eterna. Neste tribunal somente será analisada as obras do culpado, e, conseqüentemente, não haverá salvação ( Ap 20:15 ). 

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Letra e o Espírito



Este artigo é uma resposta a uma critica enviada por e-mail, e os tópicos são apresentados de modo a respondê-la pontualmente, o que nos servirá de lição bíblica de como interpretar o versículo que contém a seguinte frase: "A Letra mata mas o espírito vivifica". Não postamos a crítica para poupar a pessoa que nos enviou o seu posicionamento. 
A Letra mata
Certa feita Jesus afirmou: "As palavras que eu vos disse são espírito e vida" ( Jo 6:63  ). No mesmo diapasão, o apóstolo Paulo reiterou: "A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder" ( 1Co 2:4  ).
Já na segunda epístola aos coríntios, o apóstolo Paulo disse que foi Deus quem o fez capaz de ser ministro “... de um novo testamento, não da letra, mas do espírito” ( 2Co 3:6  ).
Porque o apóstolo Paulo foi constituído ministro de um novo testamento? A resposta é clara: “Porque a letra mata e o espírito vivifica" ( 2Co 3:6  ).
Ora, se as palavras ditas por Cristo são ‘espírito e vida’, qual ‘letra’ mata? Se o ‘espírito que vivifica’ é o mesmo que as palavras de Cristo, como é possível a alguém que analisar tais palavras encontrar morte?
É evidente que a ‘letra’ que o apóstolo Paulo faz referência não diz do evangelho de Cristo. As palavras e a pregação do apóstolo Paulo não é o mesmo que a ‘letra’ que mata.
No verso: “Porque a letra mata e o espírito vivifica" ( 2Co 3:6  ), o apóstolo Paulo estava demonstrando aos cristãos de Corinto que ele era ministro de um novo testamento ( 2Co 3:8  ), ou seja, ministro do testamento do Espírito que vivifica "Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante" ( 1Co 15:45),  o que contrasta com o velho testamento, que é o testamento da ‘letra’ “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las” ( Gl 3:10  ).
A ‘letra’ é uma referência ‘polida’ que o apóstolo Paulo faz à lei que foi entregue ao povo por Moisés, e que não tinha poder de conceder vida, escrita com tinta em tábuas de pedras ( Gl 3:12  ), pois a própria tinta em pedras especificava os não cumpridores de malditos "Maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei, não as cumprindo. E todo o povo dirá: Amém" ( Dt 27:26  ).
Em seguida o apóstolo Paulo demonstra que os cristãos eram a carta de Cristo ( 2Co 3:3  ), carta esta ministrada pelos apóstolos e escrita com o Espírito do Deus vivo. Ele destaca que os cristãos, na condição de cartas, não foram redigidos com tinta, antes, com o Espírito. Não em tabuas de pedras, mas no coração ( 2Co 3:3  ).
Vale destacar que, com as palavras tinta, tábuas, pedras, coração, etc., o apóstolo Paulo criou uma alegoria para demonstrar que o ministério da lei dada ao povo por intermédio de Moisés era transitório e da morte, uma vez que as letras foram gravadas com tinta em pedras, e não no coração dos homens ( 2Co 3:7 ).
Portanto, o que mata é a letra da lei gravada em pedras, e não a palavra ministrada pelo apóstolo Paulo e por Cristo, pois a palavra de ambos é espírito e vida, pois é gravada no coração daqueles que crêem na palavra anunciada.

O Espírito Vivifica
O que vivifica o homem? As palavras que foram proferidas por Cristo, conforme se depreende de João 6, verso 63. Cristo é o Verbo de Deus, a palavra encarnada, o espírito que concede vida, o último Adão, o espírito vivificante, a semente incorruptível "Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre" ( 1Pe 1:23  ). 
Cristo é a palavra de Deus revelada aos homens, viva e que permanece para sempre, pois Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente ( Hb 13:8  ).  
Quando deu início ao seu ministério, Jesus anunciou: "O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração" ( Lc 4:18 ). Jesus foi ungido a evangelizar os necessitados de comunhão com Deus (pobres), e por isto, o Espírito de Deus estava sobre Ele.
Ciente destas considerações, as pregações do apóstolo Paulo sempre tiveram o intuito de apresentar aos homens o Pai e o Filho, respectivamente Espírito e  poder "A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder" ( 1Co 2:4 ).
Em suas pregações o apóstolo procurava demonstrar que Deus é o Espírito, e o que realmente importa aos homens "Deus é Espírito, e importa que ..." ( Jo 4:24  ).
O apóstolo dos gentios exaustivamente demonstrou que a lei (que é transitória) não é o meio pelo qual o homem adora a Deus em espírito e em verdade, antes, que só é possível adorar através do poder de Deus, o que o motivava anunciar aos judeus e aos gregos: Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus "Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus" ( 1Co 1:24  ).
Mesmo na lei há testemunho vivo do ministério do espírito, pois Moisés alertou os seus ouvintes que seria levantado um profeta, e que Ele deveria ser ouvido pelos seus compatriotas "O SENHOR teu Deus te levantará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis" ( Dt 18:15  ). Na lei também estava estipulado o que realmente concede vida aos homens: tudo o que procede da boca de Deus "E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem" ( Dt 8:3  ).
Mas, tudo que Deus realizou para que os ouvintes da lei entendessem, não entenderam, ou seja, que na sua palavra há vida, sabedoria e poder. Bastava crerem na palavra que lhes era anunciada, porém, rejeitaram ‘ouvir’ e se propuseram realizá-la “Então todo o povo respondeu a uma voz, e disse: Tudo o que o SENHOR tem falado, faremos. E relatou Moisés ao SENHOR as palavras do povo” ( Ex 19:8  ); "E disseram a Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos" ( Ex 20:19  ).
O povo de Israel rejeitou ouvir o Senhor “... não fale Deus conosco, para que não morramos" ( Ex 20:19  ), e como conseqüência não compreenderam o que Cristo anunciou a toda humanidade.
Quando Ele voltou ao Pai, enviou o Consolador, o Espírito de verdade, que haveria de guiar os seus seguidores em toda a verdade "Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir" ( Jo 16:13  ).
A palavra de Deus foi revelada através dos profetas e personificada no Filho ( Hb 1:1  ), e a função do Espírito Santo é guiar os discípulos de Cristo em toda a verdade.

Revelações


O ESPIRITO SANTO E QUEM NOS DA O ENTENDIMENTO CORRETO ACERCA DAS ESCRITURAS POIS ELE TAMBÉM E O AUTOR DAS ESCRITURAS.EVITANDO QUE NOS VENHAMOS A DISTORCE A PALAVRA PARA NOSSA PERDIÇÃO E CONDENAÇÃO.
O homem so consegue compreender a bíblia, uma vez que o entendimento da palavra é revelado pelo Espírito Santo , pois: ‘A letra mata e o espírito vivifica’, O Espírito Santo vivifica a palavra em nossas vidas nos dando o entendimento correto das escrituras para que obedeçamos a vontade de DEUS expressa na PALAVRA.
O Espírito da verdade NOS GUIA EM TODA A VERDADE. ( 2Pe 1:20  ).
A bíblia é clara quanto à função do Espírito Santo: “Ele vos guiará em toda a verdade” ( Jo 16:13  ).
Porém, levando-se em conta o que dizem, destacamos que:
  1. Desde o Antigo Testamento Deus procurou alcançar o entendimento dos homens ( Dt 8:3  ); Jesus alerta que a compreensão é essencial a salvação ( Mt 13:13  ; Mt 13:23  ); O apóstolo Paulo sempre orou a Deus para que os cristãos compreendessem o amor de Deus ( Ef 3:18  );
  2. Qualquer que compreende a palavra do Senhor está em comunhão com Deus, e qualquer que esteja em comunhão, compreendeu. Não há como desvincular a compreensão da comunhão. E no que consiste a comunhão com Deus? Ser gerado de novo tornando-se uma nova criatura, tornando-se participante da natureza divina, o que é possível somente através do lavar regenerador da palavra, que é semente incorruptível ( 1Pe 1:2  e 1Pe 1:22  e 23 ; 2Pe 1:4  );
  3. Cristo é o pão vivo que desceu do céu e que dá vida aos homens, o que contrasta com o maná no deserto, que todos comeram, mas morreram no deserto. O verdadeiro pão do céu é Cristo, que dá vida aos homens(Jo 6:58); Felizmente não são as profecias que alimentam a alma do homem, antes é Cristo o verdadeiro alimento, o cumprimento das Escrituras;
  4. O que os cristãos entendem acerca das Escrituras não é o mesmo que ‘letra’, pois ‘letra’ refere-se aquilo que o povo de Israel entendia da lei. Para eles, as Escrituras tornaram-se em morte, porque em vez de ‘ouvirem’ e ‘crerem’ n’Aquele que realiza todas as coisas, se propuseram a fazer. Para os cristãos as Escrituras testificam de Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus, portanto, pão vivo que desceu dos céus e que dá vida aos homens;
  5. As opiniões e as práticas que há no mundo não é o que conduz o homem a morte. O que conduz o homem à perdição é o caminho largo que o homem acessou após ter entrado pela porta larga, que é ser gerado de Adão ( Mt 7:13  ). Há inúmeros caminhos, opiniões, práticas, filosofias, etc., porém, nenhum desses caminhos refere-se ao caminho largo que conduz a perdição. Apesar de haver caminhos que ao homem parece direito, ao cabo dá em morte, porque ele começou a trilhar o caminho que leva a perdição desde a madre ( Sl 58:3  ; Sl 51:5  );
  6. O mistério que esteve oculto pelos séculos não depende do serviço ou da fidelidade do homem a Deus; o mistério que foi revelado em Cristo refere-se a igreja, que é a união de dois povos: gentios e judeus ( Ef 2:14  e Ef 3:6  ; Cl 1:24  e Cl 1:26  );
  7. Cristo não veio resgatar os homens de uma existência temporal e da infelicidade; Jesus veio resgatar o que havia se extraviado: todos os homens! ( Rm 3:12  ). É por isso que Deus amou o mundo de tal maneira que Deus o seu Filho unigênito. Jesus não veio somente conceder uma existência eterna, antes Ele veio compartilhar da Sua natureza com aqueles que crêem, que é vida em abundância, embora o homem compartilhará pela eternidade desta comunhão com o Pai e o Filho ( Jo 17:22  );
  8. Santificação não e o mesmo que arrependimento. É comum entender que arrependimento refere-se a uma mudança de atitude, de comportamento, porém, a palavra grega traduzida por arrependimento refere-se a uma mudança de concepção, de ponto de vista, ou de pensamento. Por exemplo: Qualquer judeu que deixe de acreditar que será salvo por causa da ‘letra’ da lei, ou porque é descendente da carne de Abraão, e crê em Cristo, arrependeu-se, ou seja, mudou de concepção, de pensamento, de ponto de vista. Arrependimento é deixar de pensar como se pensava "E não presumais (pensar), de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão" ( Mt 3:9  );
  9. Como é estar em Cristo? É ser uma nova criatura!  Como é ser uma nova criatura? É estar em Cristo! ( 2Co 5:17  ). É neste sentido que o Espírito vivifica: “As palavras que eu vos disse são espírito e vida” ( Jo 6:63  ), pois Cristo, o último Adão é espírito vivificante. A ação do Espírito Santo não é falar de si mesmo, e sim guiar o homem em toda a verdade, ou seja, a Cristo, pois Ele é o caminho, a verdade e a vida.
Este verso: “Porque a letra mata e o espírito vivifica”, nem mesmo pode ser atribuída a uma pessoa que lê a bíblia como sendo um livro comum ( 2Co 3:6  ), pois o sentido do texto estaria sendo alterado, uma vez que o apóstolo Paulo ao entregar esta mensagem a Igreja de Corinto estava demonstrando a impossibilidade da Lei (Mosaica) salvar alguém.
A lei apenas mostra ao homem a sua incapacidade de agradar a Deus, dessa forma a ‘letra’, o mesmo que ‘Lei’, mata, ou melhor, mesmo que se busque cumprir rigorosamente a lei, a exemplo de Nicodemos, para Deus o homem continua no mesmo estado que nasceu: morto.
Para cumprir a lei é necessário ao homem ouvir e crer na palavra de Deus “E disseram a Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos“ ( Ex 20:19 ), e não se propor em realizá-la, como fez o povo de Israel "Veio, pois, Moisés, e contou ao povo todas as palavras do SENHOR, e todos os estatutos; então o povo respondeu a uma voz, e disse: Todas as palavras, que o SENHOR tem falado, faremos" ( Ex 24:3 ).
Dentro do seu contexto, esta linha de 2 Coríntios 3, verso 6 expressa um contraste importante entre a impossibilidade do sistema do Velho Testamento e a suficiência de Cristo para salvar o homem do pecado, condição que a humanidade herdou em Adão.
A "letra" representa o "ministério da morte, gravado com letras em pedras" que foi dado aos israelitas através de Moisés ( 2Co 3:7  e 3:3). O “Espírito” representa a nova aliança de Cristo, revelada através do Espírito Santo e escrita em nossos corações ( 2Co 3:3 - 8).
O apóstolo Paulo procurou demonstrar que, mesmo que o homem conseguisse cumprir/guardar toda a letra (613 leis, mais os 10 Mandamentos), não alcançaria a salvação, ou seja, para Deus ele ainda estaria morto por ser filho de Adão, ou seja, por não ter sido gerado de Deus.
É salutar que se entenda que, em Adão, toda a humanidade nasce (é gerada) destituída da gloria de Deus ( Rm 3:23  ), e que para restabelecer a comunhão com Deus ( Jo 17:22  ), a exemplo de Nicodemos, é necessário nascer (ser gerado) de novo, da Água (palavra) e do Espírito (Deus).
Ao ouvir e aceitar o evangelho de Cristo rejeita-se qualquer outra doutrina (arrependimento). Quando se crê na mensagem anunciada o velho homem “morre” com Cristo e é sepultado, ou seja, o homem é batizado na morte de Cristo, no verdadeiro e único batismo para salvação ( Ef 4:5  ), cumprindo a lei de Deus: “A alma que pecar, essa morrerá” ( Ez 18:4  ).
Não podemos confundir arrependimento, que é mudança de conceito, ou mudança de entendimento acerca de alguma matéria, com arrependimento de obras mortas. Os homens por estarem mortos, o mesmo que imundos diante de Deus, praticam obras mortas, ou seja, imundas. A maioria dos homens se arrependesse dos seus erros, porém, não passa de arrependimento de obras mortas, o que não é o mesmo que arrepender-se (mudança de entendimento) porque é chegado o reino dos céus.
Quando o novo homem ressurge dentre os mortos para a glória de Deus, é justificado, ou seja, a nova criatura é declarada justa por Deus por ser participante da natureza divina.
O novo homem é justificado não por suas obras (guardar dia, fazer coisas boas, jejum, orações, caridade, descendência de Abraão, ser participante de uma denominação, etc.), antes, porque ao ser gerado por Deus em Cristo, torna-se participante do corpo e do sangue de Cristo ( Jo 6: 54 -56), e por ter sido criado em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24),  compartilha da natureza divina. A nova criatura, ou o novo homem por ter sido criado JUSTO é declarado justo por Deus.
Tudo ocorre através da maravilhosa obra de Deus, a regeneração, através do Descendente, que é Cristo. Através do último Adão, que é Cristo são gerados os filhos de Deus. Filhos nascidos, não da carne, nem do sangue, e nem da vontade do varão, mas da vontade de Deus ( Jo 1:12  ).
Para que os filhos de Deus sejam gerados, há a necessidade de nascerem da palavra e do Espírito de Deus. Nascer de Deus só é possível por meio da pregação do evangelho que é semente incorruptível e poder de Deus pela fé em Cristo.  Por isto que “o espírito vivifica”, por que ele dá vida a quem está morto.
No mesmo contexto de 2 Coríntios 3 o apóstolo Paulo enfatiza a importância da palavra revelada por Cristo contrastando-a com a ‘letra’. Ele destaca o valor da palavra de Deus ( 2Co 4:2  ), da verdade ( 2Co 4:2  ), do conhecimento da glória de Deus ( 2Co 4:6  ) e da liberdade em Cristo, pois a sua palavra é Espírito e poder ( 2Co 3:17 ).
A lei ainda vigora? NÃO, de maneira alguma, pois Cristo cumpriu a lei para que por intermédio d’Ele tenhamos vida ( 2Co 3:14  ).
É bom lembrar que, quando Jesus morreu na cruz o véu do templo se rasgou de alto a baixo. Isto estabeleceu o fim da lei, pois a partir daquele momento o templo de Deus passou a ser os nossos corpos, onde Deus habita através do Seu Espírito ( Jo 14:23  ; 1Co 3:17 ). O véu que foi rasgado significa que a lei foi abolida ( Rm 10:4  ).


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

GUNNAR VINGREN (1879-1933)

VINGREN


GUNNAR VINGREN (1879-1933), nasceu em Ostra Husby, Ostergotland, na região agrícola do sudeste da Suécia, a 8 de agosto de 1879. Seu pai era batista e exercia a função de jardineiro. Diz o próprio Vingren que pelo fato de seus pais serem crentes, procuraram desde tenra idade a ensinar-lhe os preceitos do Senhor[1]. Os ensinos domésticos que o pequeno Gunnar recebia de seus genitores era reforçado pelas aulas que recebia na Escola Dominical da qual seu pai era um dirigente incansável. 

Segundo o próprio Vingren, aos 9 anos ele foi chamado por Deus[2].Após essa chamada, sentiu o desejo de buscar a Deus e o fazia constantemente atraído de uma forma especial pela presença do Santo Espírito. Aos 11 anos reunia-se com outras crianças para buscar a Deus em oração. Vingren terminou o curso primário com 11 anos, a partir dessa idade trabalhou como jardineiro com o seu pai, oficio este que se ocupou até o ano de 1903, quando seguiu o rumo de parentes para os Estados Unidos[3]. 

O adolescente Gunnar não resistiu aos apelos do mundo, desviando-se dos preceitos do Senhor com a idade de 12 anos. Ficou cerca de 5 anos vivendo como um filho pródigo, trazendo descontentamento aos seus pais. Em 1896, com a idade de 17 anos, Vingren foi a um culto de vigília de ano-novo com o seu pai. Foi nessa reunião que retornou ao lar paternal. Em seu diário, o já idoso missionário, relembra com gozo indizível a sua conversão ao Evangelho[4].

Em 1897, aos 18 anos, foi batizado nas águas na igreja Batista em Wraka, Smaland, Suécia. Nessa época, assumiu a direção da Escola Do minical de sua igreja, substituindo seu pai. Em 14 de julho daquele ano, um artigo de uma re vista, que falava sobre os sofrimentos de tribos nativas no exterior, o levou às lagrimas e a uma decisão que mudaria o rumo de sua vida: “Subi para o meu quarto e ali prometi a Deus perten cer-lhe e pôr-me à sua disposição, para honra e glória de seu nome. Orei também insistentemen te para que Ele me ajudasse a cumprir esta pro messa” [5], afirma Vingren. 

No mês de outubro de 1898, Vingren deixou a direção da Es cola Dominical para participar de uma escola bíblica em Götabro, Nãrke. Essa escola bíblica era uma Federação Evangélica com o intuito de ganhar almas para Cristo. Cerca de cinquenta e cinco crentes, entre homens e mulheres, participaram dessa Escola que durou cerca de trinta dias. Ao final do curso cerca de quinze participantes foram enviados como evangelistas, que saíram dois a dois apenas com o dinheiro da passagem para o local pretendido. O próprio Vingren fala da impressão que essa escola bíblica lhe causou:

“Nunca mais na minha vida recebi uma instrução bíblica tão pro funda como aquela. Pastor Kihlstedt nos quebran tava completamente com a Palavra de Deus. Ele nos tirava tudo, tudo, até que ficássemos inteira mente aniquilados como pó diante dos pés do Senhor. Depois vinha o irmão Emílio Gustavsson com o óleo de Gileade, e sarava as feridas da alma, alimentando nossos corações famintos com o melhor trigo dos celeiros de Deus. Oh! Que tempo aquele! Fez-me bem pelo resto de toda a minha vida”.[6]

Vingren foi enviado como evangelista à província de Skane, que foi a sua primeira missão como missionário. Em seguida, evangelizou nas províncias de Vãstergõtland, realizando vários cultos na região. Mas, quando chegou a Tidaholm, ficou doente de papeira. Muito enfermo, sonhou que tinha dormido no Senhor e que seus pais participaram do cortejo fúnebre. 

Entretanto, no sábado à noite, alguns irmãos foram visitar o evangelista enfermo. Oraram fervorosamente e, na segunda-feira, estava totalmente curado para continuar sua viagem missionária[7].Depois disto, evangelizou em Rönneholm, Svedala e retornou a Skane. Na cidade de Rönneholm, um irmão chamou à sua atenção pelos atos humanitários e pelo amor cristão que dispensava ao viandante cristão. Realizou alguns cultos em algumas aldeias de pescadores, e Vingren, lembra em seu Diário do Pioneiro, que o céu se abriu sobre todos quanto estavam junto a um ancião, cantando o hino: “Jesus, faz-me sereno e satisfeito”.[8]

De retorno ao lar paterno, continuou a trabalhar como jardineiro. Desta feita encontrou trabalho como jardineiro no palácio real de Drottningholm. O coração do missionário ardia com o desejo entusiástico de repetir a experiência de propagar as boas novas. Foi quando no dia primeiro de outubro, após ser convidado anteriormente por um evangelista o qual Vingren não conhecia pessoalmente, partiu para ser obreiro em cultos próximo à sua casa. No inverno foi à província de Ostergötland, e muitas almas renderam-se, como diz o próprio Vingren, “ao pé da Cruz. Glória a Deus” [9]. 

Contudo, no mês de fevereiro, Gunnar foi convocado a cumprir o serviço militar interrompendo sua missão. Apresentou-se em Soderkoping e serviu em Malmslatt durante sessenta e oito dias. Parecia que o antigo desejo de ser militar[10] iria ressuscitar e a falta de segurança cristã o atormentaria. Mas nada seria forte o suficiente para amedrontar esse intrépido evangelista. Havia amadurecido não apenas como cristão, mas também como obreiro, havia sido experimentado em todas as coisas e, consequentemente, aprovado por Deus. 

Dentre os mil e seiscentos homens alistados apenas vinte eram cristãos. Lembra o jovem evangelista, que Deus o auxiliou dando a ele oportunidade de pregar aos seus companheiros pessoalmente, e noutra ocasião numa capela cheia de soldados.

Ao retornar do serviço militar, voltou para a casa de seus pais e, retomou o trabalho de jardineiro próximo a Estocolmo. Vingren se esforçava para ser útil tanto à sociedade quanto ao Reino de Deus. De dia trabalhava como jardineiro e a noite tomava parte nos cultos testificando em diversos lugares.[11]

Em 30 de junho de 1903, Vingren afirma que foi “atingido pela “febre dos Estados Unidos”[12]. Após dezenove dias de viagem, chegou a Kansas City em dezenove de novembro de 1903. Embora tivesse muita dificuldade emencontrar o endereço[13], Vingren foi em direção a casa de seu tio Carl Vingren que morava em Kansas City a vários anos. Vingren, após uma semana, começou a trabalhar como foguista na cidade de Greenhouse, depois como porteiro em uma grande casa comercial e, no inverno, como jardineiro. Nofinal do mês de fevereiro de1904, partiu para St. Louis para trabalhar no Jardim Botânico local, ao mesmo tempo em que participava, aos domingos, dos cultos da igreja sueca em St. Louis.
No final de setembro de 1904, Gunnar viajou para Chicago para começar um curso de quatro anos no seminário sueco dos batistas. Os ministros da Igreja batista sueca percebendo o zelo e esmero de Vingren o recomendaram que entrasse para a universidade batista. Nos quatros anos que passou na universidade, o seminarista Gunnar sentia a presença de Deus em todo o tempo. Durante os estudos, Vingren pregava em diversas igrejas de locais distintos. O seu primeiro estágio, de junho a dezembro, pregou na Primeira Igreja Batista em Chicago, Michigan. No segundo, foi a Sycamore, Illinois, no estágio do Natal, pregou em Blue Island, também em Illinois. No terceiro estágio ajudou em Sycamore, Illinois, e nos últimos estágios, foi pastor em Mountain, Michigam.[14]
Em setembro de 1904, iniciou um curso de quatro anos no Seminário Teológico Batista Sue co, em Chicago. Durante o tempo em que mo rou em Kansas, pertenceu à igreja batista sueca, onde foi exortado a voltar a estudar. Durante o curso, foi convidado a pregar em várias igrejas. Pelo seminário, estagiou sete meses na Primeira Igreja Batista em Chicago, Michigan. Depois, nas igrejas batistas em Sycamore, Illinois; Blue lsland, também em Illinois; e, por fim, em Mountain, Michigan[15].

No mês de maio de 1909, Vingren concluiu seus estudos e foi diplomado no mesmo mês e ano. Embora houvesse feito um pedido para ser enviado como missionário, após os estudos acadêmicos, foi servir a Primeira Igreja Batista em Menominee, Michigan, como pastor em junho de 1909. Permaneceu nessa igreja até fevereiro de 1910[16]

A Convenção Batista do Norte o sustentaria[17]. No início, Vingren convenceu-se de que esta era a vontade de Deus, mas, durante a convenção, Deus mostrou-lhe o contrário. Vol tando à sua igreja, enfrentou uma grande luta por causa de sua decisão. Finalmente, resolveu não aceitar a designação e comunicou sua deci são à convenção por escrito. Por esse motivo, a moça com quem se enamorara rompeu o noiva do. Ao receber a carta dela, respondeu: “Seja feita a vontade do Senhor!”.

Até a decisão final de Vingren em não ir a Índia como missionário, travou-se uma árdua batalha espiritual, agravada com uma severa dúvida em saber se esta era a decisão correta. Conta Vingren, que enquanto estava em dúvida não sentiu o poder de Deus sobre a sua vida durante toda aquela semana, vindo a sentir o poder e a paz de Deus somente depois que decidiu em não ir como missionário[18].

Nessa época os Estados Unidos estava sendo visitado de modo especial pelo Espírito Santo[19]. No verão de 1909, Deus encheu o coração de Vingren com o desejo de receber o batismo no Espírito Santo. Em novembro daquele ano, ele pediu permissão à sua igreja para visitar a Primeira Igreja Batista Sueca, em Chicago, onde se realizava uma série de conferências, O seu objetivo era buscar o batismo no Espírito Santo. Foi durante essa milagrosa experiência que Vingren conheceu Daniel Berg. Após cinco dias de busca incessante, foi revesti do de poder, falando em outras línguas como os discípulos no Dia de Pentecostes. Sobre o assunto afirma Vingren:

“Quando recebi o Espírito Santo, falei línguas, justamente como está escrito que aconteceu com os discípulos no dia de Pentecostes: At 2. É impossível descrever a alegria que encheu meu coração. Eternamente o louvarei, pois me batizou com o seu Espírito Santo e com fogo” [20].

A alma de Vingren estava transbordando de gozo celestial. Após aquela experiência pentecostal [21], Vingren nunca mais foi o mesmo pastor. Ao voltar à sua igreja em Menominee, come çou a pregar a verdade pentecostal de que “Jesus batiza no Espírito Santo e com fogo”[22]. Alguns irmãos estranharam o teor da mensagem[23], enquanto outros ficaram impressionados com o fervor da boa nova. A partir dos ensinos e experiência dos cristãos primitivos no livro dos Atos dos Apóstolos, Vingren ensinava a verdade pentecostal[24]. 

Todavia, a tradição daquela igreja que tanto amava o seu pastor, não estava disposta a admitir aquela estranha doutrina. Por muito tempo os irmãos daquela comunidade haviam aprendido que os nove dons do Espírito e a experiência do pentecoste haviam cessado após a era apostólica. Outros irmãos, porém, ávidos por uma comunhão mais profunda com o Espírito Santo, creram na doutrina pentecostal. Em fevereiro de 1910, os crentes que não creram na mensagem pentecostal intimaram o pastor Vingren a deixar o pastorado da igreja[25].

A Igre ja Batista em South Bend, Indiana, ao ouvir os comentários de que um dos pastores da denominação havia experimentado uma ação sobrenatural do Espírito sobre si, convidaram-no para expor sua experiência. Todos os irmãos ao ouvir a mensagem creram em cada exposição bíblica e em cada um dos atos experiênciais do próprio Vingren. Nos primeiros sete dias Deus batizou dez crentes com a evidência inicial de falar em outras línguas. 

A perspectiva de Vingren era que Deus transformasse as igrejas batistas suecas através do batismo pentecostal. Inicialmente não pretendia deixar de ser um ministro da igreja batista, apenas compartilhar sua nova experiência. A nova consciência do ex-pastor batista era a de que a igreja só seria capaz de cumprir a sua missão se aceitasse a plenitude do batismo no Espírito Santo. Por isso se pôs como profeta e missionário incumbido de propagar a mensagem quadrangular do Evangelho: Cristo Salva, Batiza com o Espírito Santo, Cura e Vem em breve. 

Vingren não deixou de ser um pastor batista até o momento que foi expulso da igreja batista em Belém – Pará. Não pretendia criar uma outra denominação, isto ocorreu porque as circunstâncias o levaram, apenas ser participante de uma reforma dentro das igrejas reformadas. Sobre a transformação da igreja batista em South Bend, Indiana afirma Vingren:

“No total foram quase vinte pessoas, que naquele verão foram batizadas com o Espírito Santo. Glória a Jesus! Assim Deus transformou a igreja batista em South Bend, Indiana, em uma igreja pentecostal” [26].

Vingren pastoreou-a até 12 de outubro de 1910[27], quando começou a preparar-se para a viagem ao Brasil. No verão daquele mesmo ano, Deus pôs no coração de Vingren o desejo de reunir a igreja em oração num sábado à noite. Berg, seu futuro companheiro na seara do Mestre, estava presente nessas reuniões em South Bend[28]. A primeira reunião foi realizada na casa de um dos irmãos que haviam recebido o batismo com o Espírito Santo. Naquela ocasião o Espírito desceu de modo sobrenatural alegrando a alma dos crentes. Essa experiência foi repetida por diversas vezes. Reuniam-se aos sábados para orar, e cada vez que isto ocorria o Espírito do Senhor descia sobre os seus servos poderosamente. Paulatinamente os irmãos estavam sendo imersos no poder e na autoridade do Espírito para levar a mensagem pentecostal para outros lugares. Vingren afirma que durante essas semanas de oração, sentia o poder de Deus sobre ele como uma pressão, ou um forte peso, de tal maneira, que muitas vezes nem podia estar assentado à mesa para comer, mas tinha de cair ao chão, dobrar os joelhos e, com alta voz, prorromper em altos louvores diante da Majestade Santa[29]. 

Durante uma dessas reuniões percebeu que um irmão estava arrebatado em espírito de modo especial, como um arrebatamento profético. Um outro irmão, Adolfo Ulldim, foi o instrumento profético que Deus usou para dizer a Vingren e ao seu companheiro Berg que eles deveriam ir a uma cidade conhecida pelo nome de Pará[30]; cujo povo e seus hábitos eram de uma vasta simplicidade, mas Deus supriria todas as necessidades. 

Naquela ocasião um fato espiritual inusitado cortou a expectativa e apreensão dos missionários, um dos irmãos foi tomado em glossolalia, só que era o idioma que os missionários teriam que futuramente aprender, o português. Na mesma ocasião O Espírito falou a Vingren para que ele não se preocupasse com a sua vida sentimental. Deus estaria cuidando de cada aspecto de sua vida, ainda que seja de questão mais ínfima, como prova Deus disse-lhe o nome de sua futura esposa: Strandberg[31]. 

Embora Vingren não a conhecesse guardou em seu coração essa profecia. Mais tarde, sete anos depois, em 4 de março de 1917, Vingren conheceeu a enfermeira, senhorita Frida Strandberg, amiga de Lewi Pethrus e que possuía uma chamada missionária para o Brasil. O casamento só ocorreu em 16 de outubro de 1917. Imediatamente, Vingren e Berg foram até a bliblioteca pública da cidade localizar em algum atlas algum lugar com esse nome. Desfolhando os manuais descobriu tratar-se de um lugar ao Norte do Brasil. Embora o pastor Vingren sempre tivesse plena consciência de seu chamado missionário, sabia exatamente agora o lugar que Deus o queria – Pará[32], Norte do Brasil. 

Embora soubesse, ficou claro que Deus o havia guiado adequadamente, ao rejeitar ser enviado como missionário à Índia, ou quando arrefeceu o seu desejo de ser missionário na China motivado por um tio que havia sido missionário nessa região de matizes culturais intransponíveis. Deus o queria no Brasil para implantar um dos maiores movimentos pentecostal na América do Sul! Vingren e Berg agora estavam unidos pelo Senhor no mesmo propósito. 

Como não deveria deixar de ser, os dois se prontificaram a buscar ao Senhor para saber qual era o tempo ideal para ir ao Brasil. Poucos meses depois compreenderam que deveriam partir de Nova Iorque até o Pará e que seria no dia 5 de novembro de 1910[33]. Sem recurso para comprar as passagens e para as despesas de viagem confiaram todo a provisão necessária a Deus[34]. Vingren e Berg não possuíam quaisquer recursos; não estavam ligados a qualquer denominação, se recusavam a pedir qualquer ajuda que não fosse a Deus. Foi então, quando os dois missionários se intrigavam com essa questão, que Deus disse a Vingren: “Se fores, nada te faltará!”. Deus proveu milagrosamen te a quantia certa para a viagem. Um irmão chamado B.M. Johnson, pastor de uma das igrejas batistas de Chicago, pediu para que os dois missionários passassem em sua igreja para se despedir. No culto tiraram uma oferta para os missionários, cujo valor excedeu o necessário[35]

No dia aprazado, 5 de novembro de 1910, os dois missionários embarcaram no navio “Clement”[36]. Pensando em chegar ao Brasil com alguma reserva monetária, embarcaram com passagens de terceira classe. Durante os catorze dias de viagem os missionários tiveram que suportar a precária acomodação e a péssima alimentação[37]. Tudo o faziam com alegria e contentamento. Numa dessas ocasiões Deus entregou uma mensagem profética a Daniel Berg, dizendo que estava com eles. Durante esse tempo oraram por um companheiro de viagem e ganharam um passageiro para Cristo. Em um dos pontos de embarque e desembarque alguns brasileiros subiram no “Clement”. Vingren afirma que “pela primeira vez” ouviram o idioma português[38] e, sentiram certo temor em seus corações, pois não compreendiam nada[39]. Mas esse sentimento desapareceu bem depressa, pois estavam convictos da vontade do Senhor.

Chegaram ao destino, Pará, no dia 19 de novembro de 1910. Ao desembarcarem não havia ninguém para receber os dois missionário suecos. Sem destino certo, acompanharam a multidão ao centro da cidade. Os dois missionários viam desfilar pelas ruas “pessoas mal vestidas, os leprosos a desfilar seus corpos mutilados, apresentando pungente espetáculo pelas ruas”[40]

No período da chegada dos missionários e da inauguração da AD no Brasil o país vivia um momento político conturbado. A AD foi fundada no período do Marechal, apoiado pelos fazendeiros de café, Presidente Hermes da Fonseca (15/11/1910 – 15/11/1914) tendo a igreja que conviver com a “república dos coronéis” – latifundiários que formavam as oligarquias estaduais e regionais; fraudavam as eleições, punham o Exército e a polícia contra a população que se revoltava – mandavam em tudo e em todos (...). Nesse período apenas 3% dos brasileiros podiam votar, o que equivalia a três em cada cem brasileiro, e a grande maioria era analfabeta. Os 3% que votavam era os maiores de 18 anos alfabetizados. As eleições eram fraudadas, falsificadas. Quem mandava em tudo e em todos eram os coronéis: no advogado, no pastor, no padre, no professor, nas pessoas que trabalhavam em suas fazendas. Se houvesse mais de um coronel no município afirma PILETTI & PILETTI, mandava aquele que tinha mais jagunços, mais armas e mais vontade de lutar. O crescimento da AD, foi em grande parte, entre as pessoas econômica e socialmente dependentes, sofridas, acostumadas a obedecer sem questionar sempre que se destacava uma autoridade na região. A população deste período seria muito distinta daquela que participaria da revolução de 30, do Estado Novo, da ditadura militar e dos “caras pintadas” da década de 90” (...) No ano de 1913, uma grande seca atingiu o Estado do Ceará, obrigando o governo a dar passagens grátis para quem quisesse sair de lá. Muitas dessas pessoas foram viver às margens da estrada de ferro Belém-Bragança, aumentando a população do Estado do Pará. Foi nesse período que a igreja experimentou um grande crescimento. Daniel Berg, visitou todos os lugares onde estavam essas pobres pessoas, acrescendo cada vez mais o números dos crentes pentecostais.[41]

No mesmo dia em que chegaram, hospedaram-se num modesto hotel onde consumiram os seus 16 mil réis que ainda possuíam[42]. Não tendo mais como pagar, não restou nenhuma outra alternativa a não ser deixar o apartamento[43]. Foram, de bonde, em direção à casa do pastor metodista Justo Nelson, que os indicou ao pastor Erik Nilson, pastor da Igreja Batista de Belém. Os dois missionários foram convidados a morarem no porão da Igreja Batista, localizada na Rua Balby n406. Depois, em Boca do Ipixuna, às margens do Rio Tajapuru, hospedaram-se durante alguns meses na casa do presbiteriano Adriano Nobre. Dormiram no mesmo quarto onde morava o irmão Adriano Nobre, primo de Adriano, o pri meiro professor deles de língua portuguesa. 

Os missionários precisavam sustentar a si mesmo, por isso, Daniel Berg, forte e robusto, arranjou emprego de fundidor no antigo Port Of Parh (hoje dividida em Cia. Docas do Pará e ENASA), e Gunnar Vingren dedicava-se ao estudo do idioma[44]. A noite transmitia a Daniel o que havia aprendido.

As irmãs Celina Albuquerque e Maria de Nazaré creram na mensagem pentecostal e receberem o batismo no Espírito Santo. Criou-se, então, uma discussão na igreja, que cul minou na expulsão de 21 membros, Vingren e Berg eram dois dessa estatística pentecostal.

Em 18 de junho de 1911, nascia a Mis são de Fé Apostólica, que em 11 de janeiro de 1918 mudou de nome, sendo registrada oficial mente como Assembléia de Deus. Era uma igre ja sem vínculos estrangeiros, genuinamente autóctone[45].

Durante a época em que pastoreou a igreja em Belém, no Pará, Vingren visitou por duas ve zes a Suécia, passando pelos Estados Unidos. Em 1 de agosto de 1917, na sua primeira viagem, conheceu a enfermeira Frida Strandberg, que contou-lhe ter também uma chamada para o Bra sil. Em 16 de outubro de 1917, em cerimônia presenciada por Samuel Nystrõm[46] e esposa, Gunnar e Frida casaram.

O pastor Vingren, cônscio de que era não apenas necessário registrar os principais eventos pentecostais, mas como também plausível que as Assembléias de Deus tivessem o seu próprio periódico, em 1918, em Belém do Pará, fundou o a revista (jornal)Boa Semente [47], durante o ano de 1930 [48], no Rio de Janeiro, o jornal Som Alegre, e somente em 1930, por resolução da Convenção em Natal Vingren une os dois jornais criando o órgão oficial da Assembléia de Deus no país, o jornal Mensageiro da Paz, o primeiro número foi editado em 1 de dezembro de 1930 no Rio de Janeiro[49].

Apesar das inúmeras e agravantes crises de enfermidade que sofreu, Vingren, durante o período em que esteve no Brasil, esmerou-se arduamente no trabalho do Senhor, antes de sua partida definitiva para a Suécia. Após uma viagem cansativa, escreveu:

“Depois desta viagem cansativa, cheguei aqui bastante abatido. Sinto-me total mente acabado. Tenho vontade de trabalhar para Jesus, mas faltam-me as forças. Quando estive em Santa Catarina, fiquei muito enfermo do es tômago, pois a comida ali me fez mal. Fiquei também muito gripado e doente no peito, pois tive de voltar de um batismo com a roupa toda mo lhada e havia um vento muito frio. Mas o Senhor me ajudou. Porém, entendo que, se eu continuar assim, vou em breve terminar a carreira”[50].

No dia 15 de agosto de 1932, Vingren retornou ao seu país, Suécia. No Rio de Janeiro, deixou a igreja sob a responsabilidade do pastor Samuel Nyström. Durante os nove anos que pastoreou a igreja no Rio, esta cres ceu muito mais do que qualquer outra no Brasil durante aqueles. 

Na Suécia, enquanto não partia para a Céu, participava dos cultos da igreja de Estocolmo, onde celebrou sua última vigília de ano-novo. Em junho de 1933, foi com a família para uma colônia de descanso em Tallang, onde terminou seus dias.

Gunnar Vingren faleceu às 14hs 45m do dia 29 de junho de 1933.

Sua esposa, Frida Vingren, testemunhou seu falecimento: 

“No dia 27, entre cinco e seis da manhã, ele recebeu a chamada para o Céu. En tão, com os braços levantados, exclamou: ‘Je sus, como tu és maravilhoso. Aleluia! Aleluia!’ Enquanto estava sob esse poder, leu os quatro primeiros versículos do Salmo 84: “Quão amá veis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exér citos!”. A minha alma está anelante, e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a mi nha carne clamam pelo Deus vivo. Até o pardal encontrou casa e a andorinha ninho para si e para a sua prole, junto dos teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu. Bem-aven turados os que habitam em tua casa: louvar-te-ão continuamente!’ Depois dessa experiência, viveu ainda por dois dias, quando várias vezes disse que tinha saudade de ouvir o cântico dos anjos. Uma vez sentou-se na cama, levantou os braços e louvou a Deus, pois sentiu-se maravi lhosamente livre”[51]

Antes de Vingren morrer, deixou a seguinte mensagem aos irmãos brasileiros:

“Diga-lhes que eu vou feliz com Jesus. E, como um pai em Cris to, exorto a todos a receber a graça de Deus, que quer operar mais santidade e humildade, para que possam receber os dons do Espírito Santo. Somente desta maneira a Igreja de Deus poderá estar preparada para a vinda de Jesus!”[52].

A elegia fúnebre foi realizada na igreja Filadélfia, em Estocolmo, Suécia. Cerca de mil e trezentas pessoas participaram da cerimônia. Diversos irmãos deram testemunhos da vida e obra desse intrépido homem de Deus.

“Gunnar Vingren era um homem consagrado a Deus cuja vida foi uma vez para sempre colocada sobre o altar e ele jamais retirou dali essa sua oferta. Um santo fogo estava aceso em sua alma e ardeu durante toda a sua vida, até que ele foi “consumido” por esse mesmo fogo”.
Nils Kastberg

[1] Ivar VINGREN, O Diário do Pioneiro Gunnar Vingren, 1982, p. 17
[2] Id.Ibidem, 1982, p.17
[3] Cf. Paul FRESTON, Breve História do Pentecostalismo Brasileiro in Nem Anjos, Nem Demônios – Interpretações Sociológicas do Pentecostalismo,1994, p. 67
[4] Cf. VINGREN, 1982, op.cit., p.18
[5] Id.Ibidem, 1982, p. 18.
[6] Id. Ibidem, 1982, p.19
[7] Id. Ibidem, 1982, p.20
[8] Id. Ibidem, 1982, p.20
[9] Id.Ibidem, 1982, p. 20
[10] Em 1896, após a sua conversão no culto de ano novo, o jovem Gunnar havia enviado uma petição para entrar como voluntário na Escola de Guerra, porém, segundo ele mesmo afirma, “Deus me dirigiu para outro caminho”. Além disso, sentia medo de não poder permanecer como crente seguindo a carreira militar.
[11] VINGREN, 1982, op.cit., p.21.
[12] FRESTON, 1994, op.cit., p. 76 afirma que a Suécia da época de Gunnar Vingren “não era a próspera sociedade de bem-estar em que se transformou posteriormente. Era um país estagnado com pouca diferenciação social [Em 1870, somente 10% da população trabalhavam como artesãos ou na industria (Bruce 1990a:97)], forçado a exportar grande parte da população. Mais de um milhão de suecos emigraram para os Estados Unidos entre 1870 e 1920. A livre iniciativa se implantou relativamente tarde (1864), numa série de reformas liberais que incluiu, formalmente, a liberdade religiosa (1860)”.
[13] A dificuldade de Vingren em encontrar o endereço era porque não falava inglês.
[14] VINGREN,1982, id.ibid.,p. 22. É importante observar que, embora Vingrem mais tarde se tornasse um pentecostal, sua formação batista, ortodoxa e fundamentalista, fazia-o reconhecer em todos os aspectos a autoridade das Escrituras, tanto que quando chegou no Estado de Santa Catarina, precisamente na cidade de Criciúma em 1920, encontrou alguns irmãos (emigrantes da Lituânia) pentecostais que em suas reuniões de oração, tiravam os sapatos e deitavam em círculos e depois, durante umas meia hora, apenas dançavam e pulavam, repetindo o gesto várias vezes. Vingren então os exortou “ a que deixassem esta coisa de dançar, pois isto não está escrito no Novo Testamento e é só uma bobagem que deviam abandonar”. Na reunião seguinte o episódio se repetiu e, mais uma vez, Vingren os exortou dizendo: “que não é por meio de profecia, interpretação e línguas que devemos ser dirigidos. Isto nos e dado para nossa edificação, mas a direção verdadeira e a instrução necessária vêm da Bíblia, que é a Palavra de Deus clara e patente”. O resultado dessa exortação foi a expulsão de Vingren no dia seguinte. Cf.VINGREN, 1982, id.Ibidem., p.108
[15] Cf. VINGREN, 1982, id.Ibidem, p. 22, Cf. OBREIRO APROVADO, ANO XVI – Nº 65, p.15
[16] Vingren em seu diário, escreve reunindo os principais fatos de seu ministério; ao afirmar que esteve na Primeira Igreja Batista em Menominee, Michigan, de junho 1909 a fevereiro de 1910, ele, talvez propositalmente, omite o fato de que durante esse período, especificamente durante o verão, esteve na Igreja Batista Sueca em Chicago, onde recebeu o batismo no Espírito Santo, vindo a falar especificamente sobre o assunto um pouco depois. É nesse período que conhecesse o seu fiel amigo Daniel Berg.
[17] Vingren seria enviado como missionário pela The Northern Baptist Convention.
[18] VINGREN, 1982, op.cit., p.23. Segundo Vingren, mais tarde uma irmã que possuía o dom de interpretar línguas foi usada pelo Senhor, para disser-lhe que ele seria enviado ao campo missionário somente depois de haver sido batizado no Espírito Santo.
[19] Trata-se do grande reavivamento que deu origem ao atual Movimento Pentecostal. Entretanto, o reavivamento da Rua Azuza, em Los Ângeles, Califórnia (1906-1909) foi motivado pelo ocorrido em Topeka, Kansas, em janeiro de 1901. Enquanto o da Rua Azusa teve como personagem principal o afro-americano William J. Seymour, o reavivamento de Topeka, o pregador do Movimento da Santidade, Charles Fox Parham.
[20] VINGREN, 1982, op.cit.,p.24
[21] A experiência pentecostal de Vingren já era sentida por outros cristãos bem antes de 1909. Em janeiro de 1901, Charles Fox Parham, pregador do Movimento da Santidade em Kansas, foi testemunha de um reavivamento fenomenal na Escola Bíblica Bethel, em Topeka, Kansas. Parham, e a maioria dos seminaristas, foram batizados no Espírito Santo com a experiência inicial de falar em outras línguas ou glossolalia.
[22] VINGREN, 1982, op.cit., p.24
[23] É bem provável que os irmãos não tenham apenas estranhado a novidade doutrinária, mas também os gestos e atos que acompanhavam as experiências pentecostais. A missão da Rua Azusa, a partir de setembro de 1906, publicava o jornal A Fé Apostólica editado por William J. Seymour. Esse periódico narrava as experiências pentecostais dos cristãos que lá se reuniam. Há testemunhos de crentes caindo ao chão, que riam incessantemente (esse fenômeno era conhecido por “Gargalhada Santa”), tremedeiras (os antigos metodistas chamavam de “sacudidelas”), mudez temporária e “embriaguez no Espírito”. No relatório de São Francisco na Edição nº 7 (abril de 1907), lê-se o seguinte: “ Crianças pequenas receberam o seu batismo e falaram em várias línguas. Um pastor metodista e outro adventista receberam o batismo, e antes de falarem em línguas, ficaram tremendo durante algumas horas sob o poder de Deus”. Essas manifestações receberam muitas represálias por parte da direção de algumas igrejas, tanto que a nona edição (setembro de 1907) publicou um alerta de Kedgaon, Índia, sobre as tentativas de se reprimir as manifestações deste tipo: “ Não precisamos nos preocupar com estas manifestações, nem tentar reprimí-las. SÃO OS FRUTOS NAS VIDAS E NO SERVIÇO A DEUS QUE QUEREMOS VER [ênfase no original]. Estas manifestações não impedem a produção de frutos espirituais, mas temos visto, vez após vez, durante os últimos quinze meses, que onde os obreiros cristãos reprimiram estas manifestações, o Espírito Santo tem Se entristecido, a obra tem parado, e nenhum fruto de vidas santas tem surgido como resultado (...)”. [Extraído da Edição da Primavera de 1995 do “Elim Herald”, com permissão da Elim Fellowship, Lima N.Y.,E.U.A. apud Richard M. RISS, Reavivamento, Tremedeira, Mudez Temporária, Gargalhada Santa, e Embriaguez no Espírito na Rua Azusa, REVISTA ATOS – outubro/Novembro/Dezembro 1997, Vl. 12/Nº 4 Edição Português, Ralph MAHONEY (ed.).
[24] O ensino seguido por Vingren foi particularmente uma contribuição teológica de Fox Parham. Este insistia que o falar noutras línguas era a evidência conclusiva do Batismo no Espírito Santo, ou como se costumava dizer naqueles dias, “a terceira obra da graça”. Em 1906 ocorreu a primeira questão teológica que dividiu os pentecostais – a validade do conteúdo teológico de livros históricos como o de Atos dos Apóstolos e os últimos versículos de Marcos. O cerne da questão estava na validade das experiências de falar noutras línguas. Aqueles que acreditavam, como Parham e seus discípulos, que o livro de Atos servia como fator doutrinário e, por isso, teologicamente, a única prova visível de que o crente recebeu o batismo no Espírito Santo era a evidência inicial de falar em outras línguas. Outros que não criam na validade doutrinaria da literatura narrativa não fundamentavam o batismo no Espírito Santo com a evidência experiencial de falar em glossolalia.
[25] Nesse mesmo ano o pastor Lewi Pethrus, amigo de infância de Daniel Berg e que também havia se tornado pentecostal, assumiu o pastorado da igreja batista de Estocolmo; tanto ele quanto os crentes daquela igreja ,que creram na mensagem pentecostal foram excluídos da convenção da denominação em 1913.
[26] VINGREN, 1982, op.cit., p.24
[27] Não somos escusados de frisar que, segundo as narrativas de Lewi Pethrus, em 1910 já existia uma igreja batista pentecostal organizada em Estocolmo, Suécia. Quase todos os membros dessa igreja eram batizados com o Espírito Santo. Tendo começado com vinte e nove membros, em 1913 já contava com quinhentos. Foram excomungados da denominação e da convenção batista. Dez anos depois já existia trezentas assembléias pentecostais, com algumas delas muito bem estruturadas. Cf. Emílio CONDE, O Testemunho dos Séculos, 1982, p.85-6.
[28] Nesse tempo (novembro de 1909) Berg estava trabalhando numa quitanda, em Chicago, quando o Espírito Santo lhe disse para viajar a South Bend, Indiana, onde Vingren era o pastor da igreja, para que juntos louvassem ao Senhor. Berg deixou o seu trabalho e foi ao encontro do pastor Gunnar. Segundo Vingren, Berg o acompanhava aos cultos e participava, ora cantando, ora testificando da maravilhosa salvação em Cristo. Foi quando então, Deus dirigiu Vingren a ir juntamente com Berg a casa do irmão Adolfo Ulldim. Cf. VINGREN, 1982, op.cit., p.26
[29] Id.Ibidem, 1982, p.25
[30] Há um fato paralelo omitido em quase todos os manuais de fonte pentecostal que tratam da biografia de Vingren e Berg, é o fato observado por FRESTON (1994:81) que afirma que em Belém, muito antes da chegada de Vingren e Berg ao Brasil, já existia um missionário sueco, Erik Nilsson (ou Eurico Nelson), que desde 1897 implantava igrejas em toda a Amazônia. Erik Nilsson era um sueco emigrado dos Estados Unidos aos 7 anos de idade que veio ao Brasil com a intenção de seguir uma carreira de pecuarista. Tornou-se pastor da igreja batista em Belém e, é bem provável que nos relatórios enviados à comunidade batista sueca nos Estados Unidos o nome “Pará” já fosse conhecido. Essa informação também é confirmada por Emili-G. LÉONARD, na obra O Protestantismo Brasileiro, São Paulo: ASTE: 1963, p. 93. Quando Vingren e Berg chegaram ao Brasil foram encaminhados pelo pastor metodista Justo Nelson ao pastor Erik Nilsson; este como eles, era de nacionalidade sueca. O pastor Nilsson os convidou-os a cooperarem nas atividades da igreja e ofereceu-lhes o porão da igreja, onde se alojaram. Cf. Joanyr de OLIVEIRA, As Assembléias de Deus no Brasil – Sumário Histórico Ilustrado, 1997, p. 37
[31] Mais tarde Vingren conheceu a enfermeira Frida Strandberg, que se tornou sua única esposa.
[32] FRESTON, 1994, op,cit., p. 81 afirma que embora “a escolha do Pará para iniciar a AD não fosse racional, acabou ten do uma racionalidade maior (no sentido de se fazer presente em todo o país) do que se começasse no Rio ou em São Paulo”. Uma opinião nada ortodoxa, divulgada pela internet é a do pastor Jedilson Rodrigues, que segundo um dos seus alunos, as razões pelas quais Deus escolheu Belém foram: 1. Porque Belém, em hebraico, significaCasa de Pão; e 2. Pará, em grego significado ao lado de; paralelo a; e que ao analisar melhor o assunto veremos que de Belém do Pará saiu a chama pentecostal (pão) para esta grande Nação.
[33] VINGREN, 1982, op.cit.,p.27
[34] Na verdade Vingren possuía 90 dólares, mas ao participar antes da viagem de um dos cultos de uma das igrejas pentecostais de Chicago, cujo pastor era o editor de uma revista pentecostal, Deus impeliu a Vingren a doar todo o seu dinheiro ao pastor Durham para a manutenção da revista. Vingren resistiu o quando pôde, durante toda a noite “lutou com Deus” a respeito daquele assunto, até que finalmente, no dia seguinte, doou todo o dinheiro ao pastor.
[35] O valor recebido foi quatro vezes mais daquele que Vingren havia dado ao pastor Durham, cerca de 400 dólares.
[36] Os missionários só embarcaram na data citada devido ao término da manutenção que estava sendo feita no navio “Clement”, pois de outra forma não haveria possibilidade de viajar naquela data; não havia vagas em nenhum outro navio.
[37] Devido à greve no porto de Nova Iorque não puderam levar qualquer bagagem a não ser a maleta que estava em suas mãos.
[38] O aluno pode pensar que aqui há contradição, pois Vingren afirmara anteriormente que quando recebeu a chamada para ser missionário no Brasil um dos irmãos que falava em línguas, falou no idioma português. No entanto, explica-se facilmente o fato, pois Vingren está se referindo ao seu primeiro contato com um brasileiro em seu idioma nato.
[39] VINGREN, 1982, op.cit., p.31
[40] Joanyr de OLIVEIRA, As Assembléias de Deus no Brasil – Sumário Histórico Ilustrado, 1997, p.36. Dias depois, alguns passageiros, que vieram com os missionários, morreriam ao serem infectados pelo vírus da lepra.
[41] Esdras Costa BENTHO, As Origens da Igreja Assembléia de Deus: Resgatando as Nossas Verdadeiras Origens – Uma Visão Histórica e Social de Nossa Denominação, 2000, Faculdade Teológica Refidim, p. 5.
[42] OLIVEIRA, 1997, op.cit., 36
[43] A diferença entre o denominacionalismo americano e o ethos cultural e sócio-econômico dos missionários suecos podem ser observados na história de implantação da AD pelos suecos e depois pelos americanos que vieram contribuir com o fortalecimento das igrejas e a implantação de novos trabalhos. Quando os primeiros americanos começaram a chegar ao Brasil, entre eles, J.P.Kolenda, este desembarcou com o seu Chevrolet 1939 novinho e alugou um apartamento em Copacabana, Rio de Janeiro. Cf. Albert W.BRENDA,Ouvi Um Recado do Céu – Biografia de J.P. Kolenda, 1984, p. 89.
[44] Extraído do site www. Bíblia World Net.com.br
[45] oriundo da terra, igreja genuinamente brasileira.
[46] Foi este missionário que ajudou J.P.Kolenda ao desembarcar do navio, comprometendo-se com as autoridades alfandegárias, e auxiliando o missionário americano na procurar de um imóvel em Copacabana.
[47] VINGREN, 1982, op.cit., p. 229
[48] Embora na biografia, O Diário do Pioneiro, de Vingren conste que o jornal foi fundado durante o ano de 1930, a biografia editada pela revista OBREIRO, Ano 23 – Nº 13 – Encarte Especial – Pioneiros e Líderes da Assembléia de Deus, 2001, p. 8, coloca a data de 1929. Porém, na primeira edição do jornal “Boa Semente” consta à data de 18 de janeiro de 1919.Um dos principais artigos eram: “ A razão da Nossa Publicidade e “ O Batismo no Espírito Santo”. Cf. BOA SEMENTE – Órgão da Igreja Pentecostal, ANO I, Nº 1, Pará-Belém, 18 de janeiro de 1919.
[49] Cf. As dificuldades e provações sofridas por Vingren para executar essa titânica tarefa, pode ser observado in VINGREN, 1982, op.cit., p.191. O primeiro artigo era assinado pelo fiel companheiro de Vingren, Nils Kastberg, sob o título “A Estrela de Jacó”. O jornal trazia uma nota sobre a Convenção de Natal que deliberou a junção dos dois primeiros jornais para a formação de um órgão único, o Mesnageiro da Paz.
[50] VINGREN, 1982, op.cit., p. 204
[51] VINGREN, 1982, op.cit., p.226-7
[52] Id.Ibidem, 1982, p.225